Os 74 médicos estrangeiros que vão atuar na atenção básica de saúde em 28 municípios do Estado participam de treinamento promovido pelo Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado da Saúde (Susam). Os profissionais selecionados pelo programa “Mais Médicos”, do Governo Federal, chegaram a Manaus no último domingo (15) e vão fazer o treinamento até o dia 27 de setembro.
“Esses profissionais passarão pelo treinamento padrão do Programa, ministrado pelo Ministério da Saúde e também participarão de curso técnico em Manaus, que visa atualizar os conhecimentos, especialmente no que se refere aos aspectos epidemiológicos das doenças infectoparasitárias e tropicais, típicas da região amazônica”, afirmou o secretário estadual de Saúde, Wilson Alecrim.
“O importante é que os profissionais consigam se apropriar das informações sobre a realidade local na área da saúde, que conheçam a estrutura do Sistema Único de Saúde e que entendam os protocolos de atendimento das doenças. E a capacitação vai permitir que os profissionais estejam mais preparados para iniciar o atendimento à comunidade”, destacou o secretário municipal de Saúde, Evandro Melo.
O treinamento é coordenado pela Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), com excelência em diagnóstico e tratamento de doenças infectoparasitárias e tropicais, e pela Fundação de Vigilância em Saúde (FVS), ambos órgãos do Governo do Estado, em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde (Semsa). Também participam da capacitação, que acontece na sede da FMT-HVD, no bairro Dom Pedro, das 8h às 18h, especialistas da Fundação Alfredo da Matta (Fuam), que é referência no diagnóstico e tratamento de doenças dermatológicas e venerologia.
Dos 74 médicos que participam do treinamento, 61 são cubanos e os 13 restantes vêm de países como Espanha, Portugal, Bolívia, México Peru, Bolívia, além de alguns brasileiros com formação em outros países. “Temos clara compreensão de que a região amazônica possui características epidemiológicas peculiares e diferente de outras regiões do Brasil e do mundo, como é o caso, por exemplo, da prevalência de doenças como dengue e malária, e que exigem maior atenção em períodos específicos. Outro exemplo são as patologias com maior incidência no período de cheia dos rios. Desta forma, nossa acolhida é no sentido de incorporar esses profissionais, que passarão a atuar na atenção primária”, ressaltou Alecrim.
Primeira fase
Na primeira fase de execução do programa “Mais Médicos”, o Amazonas deve receber, até o primeiro trimestre do próximo ano, mais 123 profissionais. Esses médicos preencherão postos de trabalho no interior levando em consideração ainda a população indígena. A informação é do secretário especial de Saúde Indígena do Ministério da Saúde, Antonio Alves. “Nós estamos avaliando a necessidade de cada região do país e atendendo conforme a demanda. São médicos que se dispuseram o trabalhar no país, principalmente nas regiões onde havia recusa dos profissionais brasileiros”, comentou Alves.
Ao todo o programa contratou 682 médicos que estão sendo distribuídos pelo país conforme as demandas. Desse total, 400 são cubanos, 166 de outros países estrangeiros e 116 são brasileiros com diploma no exterior. A carioca Tereza Marcelino, 34, formou em medicina por uma universidade de Cuba, depois de seis anos prestando serviço na atenção básica do país, ela aceitou a proposta do “Mais Médicos” e vai atuar no município de Parintins (a 369 quilômetros da capital). “Será uma honra e, ao mesmo tempo, um grande desafio me dedicar à saúde no Amazonas. Trago na mala bastante determinação e vontade de servir o povo daqui”, disse Tereza ao desembarcar no aeroporto de Ponta Pelada, localizado no bairro do Crespo, zona sul de Manaus.
O Amazonas também é mais um desafio para o médico português, Lázaro Freire, 46. O médico trouxe na mala um currículo de experiência por países como Angola, Etiópia, Nicarágua e Guiné-Bissau. “Eu tenho paixão pela minha profissão e estou disposto a contribuir e enfrentar qualquer desafio no Amazonas”, disse o médico que atuará na área de atenção básica na capital.
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