12/SET 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

‘Operação Ímpio’ combate pedofilia com mandados de busca e apreensão em Manaus e Cruzeiro do Sul em missão religiosa

Publicado em 12 de setembro, 2013

A prisão do missionário Warren Scott Kennell, cidadão norte-americano preso em Orlando (EUA), dia 31/05 deste ano, acusado de pedofilia, levou a Polícia Federal a realizar, hoje (12/09), a Operação Ímpio, cumprindo 18 mandados, 11 de busca e apreensão e sete de condução coercitiva, em Manaus e Cruzeiro do Sul (AC). Ocorreu uma prisão, de um dos envolvidos, que tinha vasto material pornográfico em seu poder e fazia distribuição via internet.

Warren trabalhou em Manaus e Cruzeiro do Sul durante os 18 anos em que permaneceu no Brasil. A Missão Novas Tribos do Brasil (MNTB), à qual ele pertencia, divulgou nota afirmando que o mesmo foi desligado imediatamente após a prisão. “A MNTB protocolou, junto à Polícia Federal, no dia 07/06/2013, ofício… informando que o referido ex-missionário havia deixado objetos nas dependências da organização”, afirma nota enviada pela missão, que tem cunho interdenominacional, isto é, tem gestão compartilhada por várias igrejas evangélicas. Foi a partir daí, segundo a nota, que se desenrolou toda a operação.

A ação foi coordenada pela Delegacia de Defesa Institucional da PF-AM e contou com a participação da agência norte-americana U.S. Immigration and Customs Enforcement (ICE), que desenvolve um trabalho de parceria com a instituição brasileira em diversas investigações de repressão à pornografia infanto-juvenil na Internet.

Material pornográfico apreendido pela Polícia Federal em Manaus.

Material pornográfico apreendido pela Polícia Federal em Manaus.

Warren Scott Kennell, ao ser preso, tinha grande quantidade de material pornográfico infantil em seu computador pessoal, com cenas protagonizadas por ele próprio. O missionário admitiu, ao ser interrogado pelas autoridades norte-americanas do ICE, ter molestado pelo menos quatro menores no Brasil, na faixa etária de 12 anos, possivelmente indígenas, reconhecendo também que tirou fotos pornográficas de todas estas crianças.

O preso hoje, cujo nome não foi revelado porque a investigação corre em segredo de Justiça, tinha fotografias e vídeos contendo cenas de sexo envolvendo crianças e adolescentes, que eram compartilhadas na internet através de redes sociais, fóruns de discussão, grupos de e-mail e programas de compartilhamento de arquivos.

Sobre a versão de que a PF agiu após a manifestação da própria missão, uma fonte da instituição disse hoje ao blog que não há registro disso. “O que fica patente no episódio é que o trabalho dessas missões no Brasil precisa de mais transparência e vigilância”, disse a fonte.

Clique aqui e veja a nota divulgada pela Missão Novas Tribos do Brasil hoje.

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