05/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Consumo de carne bovina cai e atinge o menor nível em 26 anos no país

Publicado em 03 de agosto, 2022

Consumo de carne bovina cai e atinge o menor nível em 26 anos no país

A quantidade de carne bovina consumida no mercado interno brasileiro em 2022 é a menor em 26 anos, de acordo com projeção da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, publicada na segunda-feira (1º).

O consumo per capita, que vem recuando nos últimos anos, era de 30,6 kg por habitante em 2019, período pré-pandemia de Covid-19, e atingiu 24,8 kg neste ano, uma queda de 20% e o menor nível da série histórica, que começou em 1996.

A maior quantidade registrada foi de 42,8 kg por habitante/ano, em 2006. A disponibilidade do produto no mercado interno é resultado da soma do volume importado com a produção nacional, subtraindo-se o volume exportado.

Apesar de o fenômeno depender muito de fatores globais, o poder de compra dos brasileiros também diminuiu bastante com a alta da inflação, que atingiu 11,89% no acumulado dos últimos 12 meses.

Inflação

Segundo dados do IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), em um ano os cortes de carne bovina com maiores aumentos foram a picanha (9,21%), a alcatra (9,20%), o fígado (6,59%), o filé-mignon (5,75%) e o patinho (4,9%).

O diretor de informações agropecuárias e políticas agrícolas da Conab, Sergio De Zen, confirma que esses números refletem uma tendência global e que não acontecem de um ano para o outro. “Na realidade, não é o movimento de um ano, vem acontecendo ao longo de anos, porque existe um aumento de renda em países que consomem pouca carne bovina, como Vietnã, Camboja e Indonésia, e eles praticamente dobraram o consumo, mas ainda em quantidades baixas”, afirma.

“E a carne bovina tem uma condição de produção muito diferente das outras, porque demanda muitos insumos e tempo para ser produzida”, explica. Esses fatores, juntos, contribuem para o aumento do preço, com a consequente diminuição do consumo por parte dos brasileiros.

O que se vê, em contrapartida, é o maior consumo de aves e suínos, carnes mais baratas e acessíveis. O diretor da Conab ressalta que a injeção de dinheiro nas camadas mais pobres, por meio dos auxílios, levou as pessoas a comer mais esse tipo de proteína.

Rodízio

Por outro lado, nas camadas mais ricas o que aconteceu foi a preferência pela qualidade em detrimento da quantidade. “Há dez anos, as classes A e B iam muito a rodízios de carne, mas hoje preferem os restaurantes de butique”, diz o diretor.

“Preferem qualidade a quantidade, e essa carne de qualidade tem tecnologia na criação do gado, na genética, na produção, e isso tudo custa. Por isso se tem a troca da quantidade pela qualidade. É a mesma carne da Europa, Estados Unidos, Argentina. A mudança de hábito é muito forte”, conclui.

Uma pesquisa realizada pelo C6 Bank/Ipec mostrou que a alta de preços levou à interrupção total do consumo de carne bovina por uma parcela da população. Das pessoas entrevistadas, 72% deixaram de comprar cortes considerados de primeira e 28% interromperam as compras de carne de segunda.

Além disso, outros tipos de carne também desapareceram da lista de compras: 15% não colocam mais no carrinho carne suína, de frango ou peixe e 26% deixaram de levar para casa carnes processadas como linguiça e salsicha.

Com a inflação como principal motivo para o corte no consumo, apenas 7% dos entrevistados comem carne bovina de cinco a sete vezes por semana, 38% incluem o produto nas refeições de uma a quatro vezes por semana e 9% das pessoas ouvidas não comem nunca carne bovina.

Por fim, Sergio De Zen confirma que a tendência será essa por algum tempo, seja pelos preços altos, seja pela mudança de hábitos, cada vez mais consolidada.

Veja mais notícias em Geral

RELACIONADAS

Portal do Marcos Santos
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.