12/SET 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Tenor nascido em Manacapuru e sucesso nacional traz maiores tenores do País para encontro no Teatro AM

Publicado em 23 de agosto, 2013

Considerada uma das principais casas de ópera do mundo, o Teatro Amazonas será palco do 2º Encontro de Tenores do Brasil, sábado (24/08), às 20h. Pelas vozes do amazonense Miquéias William, do mineiro Matheus Pompeu, do brasiliense Roney Calazans e com a participação especial da cantora Ketlen Nascimento, o público amazonense vai prestigiar canto clássico, lírico e clássicos da MPB em uma mesma noite.

O espetáculo, que tem apoio da Secretaria de Estado da Cultura (SEC), vai reunir a prata da casa, Miquéias William — há 12 anos coralista e solista do Coral Amazonas —, com renomados tenores do país. Calazans é tenor experimentado em palcos europeus e professor de música clássica e Pompeu tem como destaque na sua trajetória ser o único brasileiro selecionado para admissão à Academia Lírica do consagrado teatro Scala de Milão.

Além do trio de tenores, a segunda edição do encontro terá no palco a regência do maestro Armed Assi e orquestra especial. “O diferencial no espetáculo deste ano é a participação de três lindas vozes femininas”, complementa o amazonense Miquéias William, organizador do evento, ao fazer referência a Ketlen Nascimento e às sopranos Carol Martins e Kátia Freitas.

William destaca, no repertório para a noite de sábado, as árias ‘Nessun Dorma’ (da Ópera Turandot) e de ‘La Traviata’, canções italianas de Andrea Bocelli — ‘Vivo per lei’ e ‘Con te partiró’ — e uma das mais populares canções brasileiras, ‘Aquarela do Brasil’.

Conforme o tenor amazonense, a três dias do espetáculo, aumenta a expectativa dos dois tenores de outros Estados em ecoar suas vozes no grandioso Teatro Amazonas. “Será a realização de um sonho para eles cantar nesta casa de ópera, que é uma das principais do mundo”, enfatiza.

Os ingressos para o encontro já estão à venda, na bilheteria do teatro, a preços populares, sendo R$ 30 a plateia e R$ 20 as frisas e os 1º, 2º e 3º pavimentos.

 

Prata da casa

No palco do Teatro Amazonas, Miquéias William, idealizador do projeto juntamente com o músico e fundador da banda Raízes Caboclas, Celdo Braga, hoje líder do Grupo Imbaúba, é a representação do talento amazonense em música lírica.

Após a infância no município de Manacapuru (a 68 quilômetros), Miquéias veio morar em Manaus com os pais, no bairro da Compensa, na Zona Oeste da cidade. Evangélico, o então adolescente ‘abraçou’ a música ao cantar hinos na Igreja Batista Nacional Nova Canaã, localizada no mesmo bairro. Sua voz veio a ecoar em outras igrejas também, onde era convidado a se apresentar.

Entretanto, a paixão pelo estilo musical (música erudita) veio a despertar quando ele assistiu ao show dos tenores Luciano Pavarotti, José Carreras e Plácido Domingo, nas Termas de Caracalla, em Roma, no dia 7 de julho de 1990, durante da Copa do Mundo, realizada na Itália.

“Quando ouvi Nessun Dorma, na voz de Luciano Pavarotti, disse para mim que um dia cantaria assim”, relembra.

Esse sonho começou a se materializar a partir do final da década de 1990. Em audição para o Festival de Ópera, Miquéias se destacou e chamou a atenção do secretário estadual de Cultura, Robério Braga, de quem recebeu oferta de bolsa de estudos para estudar fora da capital amazonense.

Em 2002, ele embarcava para Curitiba (PR) para estudar, durante um ano, com uma das mais notáveis profissionais da arte do canto, Neyde Canto, falecida em 2011. Começaram, de forma mais intensiva, as apresentações do jovem amazonense em vários concertos.

Três anos depois, em 2005, Miquéias partia para São Paulo (SP), a fim de se aperfeiçoar junto a um dos maiores cantores líricos do século 20, Benito Maresca, também falecido em 2011. Após buscar formação com grandes mestres brasileiros, o tenor amazonense ganhou o país ao se apresentar em teatros, como de São Paulo e Brasília. Há mais de dez anos também, ele ‘empresta’ sua voz e conhecimento musical para o Coral do Amazonas.

Após ter recebido oportunidade em seu próprio Estado, Miquéias começou a propagar a música clássica, por meio da parceria com o músico Celdo Braga, em meados de 2007, da Companhia de Ópera da Compensa. O evento “Ópera na rua” levava o erudito à comunidade por meio do coral formado por moradores do bairro.

Hoje, o projeto está parado, por falta de recurso, mas a expectativa é de que retorne em outubro deste ano. “Apresentamos o ‘Ópera na rua’ para a Prefeitura de Manaus para que seja retomado esse projeto. Esperamos que a proposta seja abraçada pelo prefeito Arthur Virgilio Neto e pelo presidente da Manauscult, Bernardo Monteiro”, explica, ao enfatizar que o objetivo é fazer grandes concertos na cidade, inclusive o Encontro de Tenores pode ganhar às ruas da capital amazonense.

Os três tenores se apresentam neste sábado (24/08), no Teatro Amazonas

Os três tenores se apresentam neste sábado (24/08), no Teatro Amazonas

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