03/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

De azul e branco, Caprichoso fecha Festival de Parintins com a apoteose ‘Amazônia Festeira’

Publicado em 27 de junho, 2022

De azul e branco, Caprichoso fecha Festival de Parintins com a apoteose ‘Amazônia Festeira’

Com um espetáculo em azul branco que tomou conta da arena do Bumbódromo, o Caprichoso brincou de boi exaltando a “Amazônia-Festeira: O Clamor da Cura” na noite deste domingo (26/06).

Com a Marujada de Guerra tradicionalmente vestida de marujeiros, o show começou com o apresentador Edmundo Oran falando do meio da galera, enquanto uma grande lança de lamparineiro descia por um guindaste trazendo o Boi Caprichoso, o violonista Geovane e o levantador de toadas Patrick Araújo cantando a toada Feito de Pano e Espuma”.

Grandes bandeiras azuis e brancas surgiram no meio da Marujda.
A galera do azul da Francesa incendiou o Bumbódromo com a chamada tradicional do boi e o toque do berrante feito pelo amo Prince do Caprichoso.

No primeiro ato, o bumbá mergulhou na própria história, com ênfase ao Brincador do Boi de Parintins, com o canto de Viva a Cultura Popular, na alegoria de figura típica regional e exaltação folclórica assinada pelo artista plástico Makoy Cardoso. Do alto, um grande carrossel surgia um balé aéreo feito por vaqueiros do boi.

A alegoria trouxe a sinhazinha da fazenda Valentina Cid que surgiu de dentro da Catedral conduzia por um vagalume. Ao descer na arena, uma transformação revelou o belo vestido em azul e branco.

Toada

A toada letra e música defendida foi Viva a Cultura Popular, num cenário em que estavam grupos folclóricos afros e de boi-bumbá, lamparineiros, violeiros, safoneiros e zabumbeiros da orquestra popular. Surgiu também neste ato a rainha do folclore Cleise Simas representando a deusa da cultura popular vestindo uma fantasia que trazia o boi Caprichoso.

O bumbá ainda protagonizou a encenação do Auto do Boi, com os personagens da representatividade folclórica do bumbá.
A vaqueirada entrou em cena tradicionalmente vestida em azul e branco.

Conduzida pelo pajé Erick Beltrão, a Celebração Indígena retratou a Amazônia: Nosso Corpo, Nosso Espírito, com uma marcha das mulheres na arena, em um brado de luta pela terra, dizendo não à violência, com reverência aos povos do Parque do Xingú, com mensagem de conservação da natureza ao mundo.

Um grande globo conduzido por um Beija-flor trouxe para sua evolução na arena a porta-estandarte Marcela Marialva.

A arena do Bumbódromo encheu os olhos com a Lenda Amazônica: O Pássaro Primal e o Nascer das Aves, de Ozeas Bentes. De acordo com a crença do povo Kayapó, do Parque do Xingú, a vida venceu a morte quando um gavião colossal algoz das aldeias é martirizado em luta contra dois guerreiros gigantes e das plumagens sopradas do corpo da grande rapina houve a criação da fauna de pássaros. Foi a vez de surgir a cunhã-poranga Marciele Albuquerque.

Cerimônia

Uma das cerimônias espirituais mais emblemáticas da Amazônia é apresentada como apoteose para descrever o Ritual Indígena Yanomami Reahú – Festa da Vida-Morte-Vida, com fundamentação nos contos do xamã e líder político da floresta, Davi Kopenawa. A alegoria do item 04 foi assinada pelo artista Jucelino Ribeiro e equipe. O momento de comunhão e de luta pela terra-floresta foi marcado pela participação do líder indígena Yanomami, Dário Kopenawa.

O Caprichoso conseguiu colocar um boi gigante na arena em pouco mais de duas horas e deixou os minutos finais da apresentação para brincar de boi e homenagear Arlindo Júnior, o eterno apresentador, que surgiu como um anjo no alto, onde estava o boi evoluindo. A emoção tomou conta de brincantes, diretoria e da galera, num final apoteótico.

O presidente Jender Lobato disse que foram três grandes apresentações, que o Caprichoso cumpriu sua missão de dar espetáculo e que ele está confiante no título de campeão.

Por Peta Cid

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