Na manhã do dia 11 do corrente mês, acordei com um barulho ensurdecedor advindo de um carro de som estacionado em frente ao luxuoso prédio do Tribunal do Trabalho, onde funcionam várias Varas. O pretenso orador, no auge de sua injusta indignação, chamava aos berros os empresários de sonegadores de impostos e ladrões do povo. Causa-me repulsa ouvir uma acusação tão despropositada como essa, porque generaliza e nivela por baixo toda uma classe que, em sua expressiva maioria, trabalha honestamente de sol a sol, dá emprego, paga seus impostos em dia, ou algumas vezes atrasado, e quando isso ocorre, por qualquer motivo, ele é penalizado com multas escorchantes, e se não pagá-las, terá seus bens penhorados, inclusive a própria casa onde mora. É imperativo separar o joio do trigo para que seja feita justiça, pois nem todos os empresários são bandidos. Como em todas as categorias, há os bons e os maus profissionais.
Lembro a esses visionários radicais vermelhos, que não são os do meu querido boi. Não é atacando a classe empresarial, que produz riquezas e mantém a máquina pública com os impostos arrancados a fórceps do útero das empresas pelo governo, cada vez mais insaciável por dinheiro, que conseguirão destruir essa nação ou transformá-la numa republiqueta socialista anarquista, nos moldes da chavinista. Somos bem diferentes daqueles! Eles têm petróleo em abundância, mas nós temos sangue democrata em excesso.
Não conheço um só empresário aposentado que receba mais que R$ 3 mil, apesar de ter recolhido muito, e em inúmeros casos, ainda continuar recolhendo milhares e milhares de reais para manter as aposentadorias milionárias de uma casta seleta do setor público que, apesar de representar apenas 10% do universo de aposentados, consome 70% de todos os recursos da Previdência, enquanto contribui apenas com 10% no bolo da arrecadação. Por meio de artifícios legais, porém imorais, conseguiram ao longo dos anos dividir a Previdência em dois mundos. Um grande universo onde se abrigam os miseráveis, os descamisados, os primos pobres da Previdência, e outro, onde tudo ri e canta. Lá estão encastelados os magnatas privilegiados.
Nós, empresários, apesar de sermos considerados injustamente o cancro negro que devora a célula viva da nação, mantemos o firme propósito de continuar trabalhando cada vez mais, para legarmos às nossas gerações futuras um país mais próspero e justo, porque entendemos que não é pela baderna e ociosidade que alcançaremos o progresso, mas, sim, pelo trabalho diuturno e na busca incessante dos nossos deveres.
Não precisamos de pelegos para reconstruírem a nossa imagem tão desgastada pelo vendaval das injúrias e das difamações. Continuamos determinados em perseguir o crescimento empresarial por intermédio do trabalho honesto e sério, mesmo sabendo que em nosso país o lucro é crime.
O chicote do tempo haverá de açoitar impiedosamente a face da mentira até que a verdade cristalina aflore viçosa e bela como uma rosa no jardim do tempo.
Não existe fórmula mágica para tornar próspera uma nação. Todo edifício da prosperidade é erguido sobre bases sólidas da disciplina e da educação. Valorizemos o professor pagando-lhe um salário digno. Pode ser o salário de um ascensorista do Planalto, de um assessor parlamentar ou de um motorista do Judiciário. Tenho a certeza de que qualquer um desses salários lhe daria muito mais dignidade e estímulo para exercer o magistério como um verdadeiro sacerdócio. Um povo educado tem saúde, tem maior capacidade produtiva, conhece seus direitos, mas sabe na ponta da língua todos os seus deveres e tem maior discernimento para escolher melhor os seus representantes. Não queiramos reinventar a roda. Sejamos práticos, simples, objetivos e humildes. Limitemo-nos apenas a copiar os modelos adotados por várias nações exitosas, para que, assim, também sejamos, no amanhã, uma delas. “Avante, Brasil!”.
Obs: Ofereço esse trabalho à todos os empresários, principalmente, aos companheiros comerciantes pela passagem do nosso dia, 17/07.
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* Dauro Braga é empresário do comércio e ex-presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus...