Acidentes envolvendo aeronaves usadas como táxi-aéreo, como o Seneca que caiu terça-feira (16/07), no aeroporto Eduardinho, em Manaus, são a maioria dos ocorridos na Amazônia Ocidental. A revelação é do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa), sediado em Brasília, que disponibiliza relatórios das investigações de todos os acidentes no Brasil.
Na área do Sétimo Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes (Seripa 7), que abrange os Estados da Amazônia Ocidental – Amazonas, Acre, Rondônia e Roraima -, ocorreram 82 acidentes, entre 2003 e 2012. A maioria teve como causa falha em motor (26,4%) ou perda de controle em voo (13,2%). Os relatórios estão disponíveis no site www.cenipa.aer.mil.br.

Falha do motor foi a principal causa dos acidentes, entre 2003 e 2012, na Amazônia Ocidental. Fonte: www.cenipa.aer.mil.br.

A estatística dos aviões envolvidos em acidentes aéreos mostra que os táxis-aéreos são os mais comuns.
A maioria dos acidentes, 44 dos 82, ocorreu com aeronaves usadas como táxi-aéreo. “Há um grande número de acidentes que, como não resultam em maiores transtornos, nem chegam ao conhecimento da imprensa”, diz o capitão da Aeronáutica Felipe Figueiredo. Ele é o responsável pela investigação do acidente envolvendo o Seneca 2, que matou três de seus seis ocupantes e deixou os outros três em estado grave.
O capitão Figueiredo ouviu os diálogos do piloto com a torre do aeroporto Eduardo Gomes e afirma que neles não há nada de anormal. “Pouso e decolagem são procedimentos que exigem toda concentração do piloto. Às vezes, a gente não conversa nem com o colega do lado, na cabine”, disse.
AM teve 22 acidentes
O Cenipa registra os relatórios de 22 acidentes, sempre no período entre 2033 e 2012, no Amazonas. Entre esses, já relatados no site, no dia 27 de janeiro de 2011, em Pauini (AM), um avião que decolou de Rio Branco (AC) teve o trem de pouso quebrado quando a roda bateu num buraco, encoberto por água da chuva. A investigação mostrou que o aeródromo era tido como de terra, mas tinha sido asfaltado, embora precariamente, e recomenda a revisão por parte da Prefeitura Municipal.
Os dois acidentes anteriores ao do Seneca que caiu dia 16/07, envolvendo um avião que ia para Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, e caiu na Estrada do Turismo, no Tarumã, e o que caiu no conjunto Beija-Flor, danificando dezenas de carros, foram concluídos pelo Seripa 7. “Todo o material é enviado para Brasília e cabe ao Cenipa publicar o resultado na Internet, o que pode ocorrer a qualquer momento”, diz o capitão Figueiredo. “Esses relatórios não são sigilosos. São todos ostensivos e podem ser vistos pelo público no site www.cenipa.aer.mil.br”, conclui.
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