Os movimentos populares que eclodiram em quase todo o País merecem o nosso respeito e admiração, enquanto os objetivos visados sejam a exteriorização ordeira da indignação do povo brasileiro contra os desmandos, a corrupção, a impunidade e outras tantas mazelas que se multiplicam a cada dia.
Que as nossas autoridades responsáveis pelo Executivo, Legislativo e Judiciário ouçam o clamor do povo e entendam claramente o recado que vem das ruas, para depois não lamentarem o leite derramado. A paciência da Nação está esgotada e a tolerância agora é zero.
Esperava-se que os empresários e suas entidades representativas aproveitassem esse momento ímpar de indignação generalizada, para também demonstrarem sua repulsa à alta carga tributária que sufoca as empresas e contra toda legislação subjetiva que o coloca fragilizado nas mãos de quem as interpreta e julga.
O nosso silêncio pode ser interpretado como um ato de covardia e omissão ou ainda, de concordância com toda a patifaria que reina absoluta em nosso País. Nossos antepassados sacrificaram a própria vida quando os impostos cobrados pela Coroa chegaram a um quinto do que produziam. Daí a expressão “vá para o quinto dos infernos”. Estamos pagando impostos equivalentes a um terço do que produzimos e o Leão continua faminto!
No meio dessa multidão indignada porém ordeira que pugna por um País mais justo, não há espaço para vândalos cujos objetivos estão focados na desordem e na destruição do patrimônio público e privado. Contra a fúria desmedida dessa cambada de marginais desordeiros, não exijamos que a polícia leve como armamento ramalhete de flores para contê-los, mas sim, todo o arsenal bélico necessário para coibir essas ações criminosas. Bandido tem que ser tratado como tal.
Que os falsos defensores dos direitos humano não venham com o discurso fajuta propalar que a força empregada para conter a turba de meliantes enfurecidos era desnecessária. Quando tomba um desses marginais no enfrentamento com as forças de repressão, essa gente que defende intransigentemente bandido, o transforma em mártir. No entanto, quando a situação é inversa, apenas lamenta a morte do valente soldado, afirmando que o infausto teve a vida ceifada em consequência da sua imprudência. Uma fatalidade! Se eles têm a fórmula mágica para enfrentar a violência com luvas de pelica, fariam um grande favor à polícia e prestariam um relevante serviço a sociedade, postando-se à frente das tropas de repressão para conter a turba enfurecida aplicando seus métodos pacificadores, pois evitariam a destruição de bens públicos e privados e a perda de vidas, algumas delas muito valiosas.
O barulho que o povo faz nas ruas ecoa nos mais longínquos rincões do País e, apesar de ensurdecedor, soa como uma música suave que inebria os nossos sentimentos mais recônditos, porque ele é a voz da cidadania se multiplicando de forma geométrica, e a propagação do seu som faz despertar o sentimento patriótico há tanto tempo adormecido ou anestesiado.
Lembramos aqueles que hoje engrossam as fileiras desses movimentos populares que o som propagado em alta escala chega a trincar e, outras vezes, até mesmo a quebrar o mais puro dos cristais. Se queremos renovar inteiramente as nossas louças porque as que temos são falsificadas, e convidarmos a nação para presenteá-la com um grande banquete da renovação irrestrita, quebremos as velhas louças com o potente martelo do voto. A hora está chegando.
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* Dauro Braga é empresário do comércio e ex-presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus...