Um grupo de 60 policiais, envolvendo o Grupamento Aéreo (Graer), Grupo Fera, Rocam, Canil e Secretaria-Adjunta de Inteligência (Seai), caçou, de quinta-feira (11/07) às 22h de ontem, sexta, o líder da facção criminosa Família do Norte (FDN) Alan Castimário, o “Nanico”. A fuga dele, entre os 176 presidiários que aproveitaram a rebelião de terça-feira (09/07) e fugiram, era considerado o mais duro golpe ao sistema de segurança do Estado. O presidiário revelou que decidiu fugir porque temeu pela morte, informado de que a rebelião foi comandada pelo Primeiro Comando da Capital (PCC), rival da FDN, que é facção do Comando Vermelho, para obter a transferência de líderes ameaçados em outras unidades.
“Fomos informados de que ele (Nanico) estava numa casa, na Vivenda Verde, reunido com um grupo de criminosos, e confirmamos a informação, mas ao chegar lá ele fugiu para as matas”, disse o secretário da Seai, Thomaz Vasconcelos Dias. Foi aí que se iniciou uma caçada que durou mais de 24 horas e envolveu os melhores equipamentos e homens da polícia amazonense.
A Seai convocou as demais forças policiais que se embrenharam na caçada pelos ramais do Baiano, Mariano e Sovel. Nanico passava o dia escondido e se esgueirava à noite, tentando alcançar a BR-174 e cumprir a última etapa do plano de fuga elaborado por Genildo Saraiva, o Candiru, que era chegar à Venezuela. Candiru foi preso pelo Grupo Fera à 1h30 na madrugada de quinta para sexta-feira. “Nossa vantagem é que Nanico não conhece o terreno e se movimentava a esmo. Esses ramais levam à BR-174, perto da Igrejinha”, disse Thomaz.
Os policiais fecharam o cerco. Diversas fontes disseram ao blog que Thomaz estava há dois dias “no meio do mato, quase sem comer”, embora só depois da prisão tenha sido revelada a razão do cerco. Quando chegaram a Nanico, ele se arrastava pelo chão usando tufos de capim como camuflagem e tinha uma lesão na cabeça. “Bati a cabeça no alambrado, quando estava fugindo do Ipat”, disse o próprio presidiário. Ele não reagiu ao ser descoberto.

Alan Castimário, o Nanico, no momento da prisão, em foto feita no celular por um dos policiais que o prenderam. Ele se arrastava pelo meio da mata, camuflado com tufos de capim
“Mais que aumentar a contabilidade de presos recapturados, essas prisões são significativas para nós pelo que esses dois representam em liberdade”, disse Thomaz. O secretário lembra que Candiru foi condenado diversas vezes, por tráfico e assassinato, mas estava em liberdade condicional, embora com novo mandado de prisão preventiva, expedido pelo juiz Julião Lemos Sobral, desde 19 de fevereiro deste ano. Ele não estava no Ipat e só entrou em cena para ajudar Nanico, que compartilha com ele e outros o comando da FDN.
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