21/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

A voz das ruas e os seus intérpretes

Publicado em 16 de junho, 2013

Esses jogos da Copa das Confederações estão muito chatos. Alguns fatores ajudam a explicar: os atletas de maior destaque atuam na Europa onde é fim de temporada. E depois, Itália e Espanha, duas das principais atrações, estão muito mais preocupadas com as eliminatórias para a Copa do ano que vem. E, finalmente, a Seleção Brasileira, dona da casa, é um time ainda em formação.

Talvez por isso os protestos contra a realização do evento tenham dominado os programas esportivos em geral. Interessante é ver e ouvir as interpretações dos jornalistas sobre o que entendem dizer a voz das ruas. Comentam assim: a vaia na presidente Dilma é fruto da indignação contra os elevados gastos públicos com a Copa; a população finalmente acordou etc. Não vejo assim, infelizmente.

Com relação à vaia na Presidente Dilma, o público que lotou o Mané Garrincha simplesmente não queria ouvir discurso e sim assistir futebol. Se de fato quisessem protestar ou estivessem indignadas aquelas pessoas não estariam nem ali, pagando uma exorbitância pelo ingresso e se submetendo a filas para retirá-los que lembravam o socialismo real da extinta União Soviética, Cuba ou Coreia do Norte (essas duas últimas, extintas também, mas não formalmente).

Fora do estádio Mané Garrincha, em Brasília, havia manifestação contra não se sabe direito o quê. Qual a lógica dos manifestantes? São contra a realização da Copa? Mas por que só agora? O que pretendem? Que se cancele o evento depois de tantos investimentos? Não sei não. Há um certo oportunismo no ar. Depois o seguinte: não havia povão nem dentro, nem fora do estádio. Dentro porque realmente o preço do ingresso inviabiliza a presença dos menos afortunados. E fora, os manifestantes tinham aspecto de classe média, desses jovens que nem trabalham, só estudam. Povão mesmo tinha no gramado da esplanada dos ministérios acompanhando o jogo da seleção nacional nos telões e aguardando os shows prestes a iniciar.

Sobre os comentários da ação da Polícia contra os manifestantes, cerceamento do direito de expressão etc. Isto parece revelar que Brasil ainda não superou os traumas da ditadura militar derrotada há quase 30 anos. O fato é o seguinte: eles – os manifestantes – decidiram invadir o estádio Mané Garrincha. O que esperavam? Que a Polícia permitisse? Que conversasse e dissesse assim: voltem pra casa de vocês, por favor não façam isso. Imaginemos duas das democracias mais sólidas do mundo, os Estados Unidos e a Inglaterra. Se isto fosse lá nesses países, teriam as polícias agido de forma diferente?

Agora, os eventuais excessos devem ser investigados e punidos. É isso.

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Autor
Luis Cláudio Chaves

* Luis Cláudio Chaves é juiz de direito.

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