
Henry Borel, de 4 anos, morreu no dia 8 de março deste ano. Os acusados da morte são a mãe do menino, Monique Medeiros, e o padrasto, o ex-vereador Dr. Jairinho. Foto: Divulgação
Hoje e amanhã (15), a Justiça do Rio realiza a audiência de instrução e julgamento do processo que apura a morte do menino Henry Borel, de 4 anos, ocorrida no dia 8 de março deste ano. Serão ouvidas uma testemunha de acusação e cerca de dez testemunhas arroladas pelas defesas da professora Monique Medeiros e do ex-vereador Jairo Souza dos Santos Júnior, o Dr. Jairinho.
Na audiência desta terça-feira, a cabeleireira Tereza Cristina dos Santos relatou que Henry Borel perguntou certa vez à mãe, Monique Medeiros, por meio de uma chamada de vídeo, se ele a atrapalhava. O diálogo aconteceu quando Monique estava em um salão de beleza na Barra da Tijuca, no dia 12 de fevereiro, fazendo tratamento de hidratação nos cabelos.
A chamada de vídeo foi feita pela babá Thayná de Oliveira Ferreira para avisar Monique que Henry estava mancando e com o joelho machucado, supostamente agredido pelo então padrasto Jairinho. Em determinado momento, Henry perguntou: “Mamãe, eu te atrapalho?”. A mãe respondeu que ele jamais a atrapalhou.
Nos autos do processo consta que nesse dia, 12 de fevereiro – cerca de um mês antes da morte do menino –, Henry foi agredido pelo padrasto.
Em outra conversa relatada por Tereza na audiência de hoje, supostamente ocorrida com Jairinho, a cabeleireira disse ter ouvido que Monique “iria embora”, caso a babá fosse demitida, porque Thayná “cuidava muito bem da criança”.
O Ministério Público do Rio de Janeiro defende que Monique se omitiu nesse episódio, pois foi comunicada das agressões e continuou no salão de beleza, fazendo tratamento de hidratação nos cabelos. Em seu depoimento, Tereza contou ainda que Monique só pediu para acelerar o processo ao final da escova, quando já estava cuidando da franja.
Presos desde 8 de abril, Monique e Jairinho foram denunciados pelo Ministério Público estadual pela prática de homicídio qualificado (por motivo torpe, com recurso que dificultou a defesa da vítima e impingiu intenso sofrimento, além de ter sido praticado contra menor de 14 anos), tortura, coação de testemunha, fraude processual e falsidade ideológica.