
EXCLUSIVO Nacional contrata Gilmar (esquerda), sob gestão do presidente Deusdete (direita), para reestruturar o time. Treinador, que mora no Rio de Janeiro, já está em Manaus e foi recebido pelo presidente (foto)
O novo presidente do Nacional, Deusdete Reis, que será aclamado dia 11 de dezembro, acaba de contratar o novo treinador. Trata-se de Gilmar, o Popoca, 57, ex-jogador e treinador das categorias sub-17 e sub-20 do Flamengo.
Deusdete pretende fazer um time forte, mas com perspectivas de futuro, apostando não só na contratação, mas também na revelação de talentos. O time não tem calendário nacional, no ano que vem, devendo concentrar-se no Campeonato Estadual, para garantir 2023. “Vamos investir em um time totalmente novo”, disse um dos novos dirigentes, que prefere não falar oficialmente, “até que tudo seja colocado em prática”.
O amazonense Augilmar Silva Oliveira, o Popoca, foi chamado de “o novo Zico”.
O “Galinho” se contundiu às vésperas de clássico contra o Botafogo, que é o maior rival do Flamengo na cidade do Rio de Janeiro. Gilmar foi chamado para substitui-lo. Na partida, o craque marcou um dos gols, de falta, bem ao estilo do titular consagrado. O Globo ostentou a manchete: “O novo Zico”.
Popoca era um menino craque de bola quando, ao participar de um treino de dois toques, com o Flamengo, em Manaus, chamou a atenção do técnico Cláudio Coutinho. Foi para o Rio de Janeiro e, durante 15 anos (1983-1998), atuou como profissional. Naquele período, ironicamente, atuava nas categorias de base do rival do Naça, o Atlético Rio Negro Clube.
O jogador foi campeão mundial na categoria Juniores, pela Seleção Brasileira, em 1983. E atingiu o auge na Olimpíada de Los Angeles, 1984, ao liderar o time olímpico nacional. Jogando ao lado de craques consagrados, como Gilmar Rinaldi, Bebeto, Dunga e Aldair, ele foi o camisa 10, artilheiro e cérebro da equipe. O Comitê Olímpico Internacional (COI) o elegeu melhor jogador da competição.
Deusdete Reis assume o Nacional, que na prática já administra, com o projeto firme de reestruturá-lo. Chamou para presidente do Conselho Deliberativo o ex-presidente Mário Cortez. E agora contrata um dos nomes mais conhecidos do futebol amazonense como treinador.
O Nacional, que se orgulha de ter a maior torcida do Amazonas e o maior número de títulos, já participou da Série B do Campeonato Brasileiro. Mas, atualmente, não está nem na Série D.
O time terá que, praticamente, renascer de novo. O calendário de 2022 está comprometido, sem que o Nacional tenha garantido presença em nenhuma competição interestadual.
O Manaus FC, campeão estadual, e o vice São Raimundo são os representantes amazonenses na Copa do Brasil. O São Raimundo e o Amazonas, terceiro deste ano, entram na Série D. E o Manaus FC segue na Série C.
O Nacional terá que conseguir primeiro ou segundo lugar no Campeonato Estadual, ano que vem, para chegar às competições nacionais. A não ser que o Manaus FC chegue à Série B ou permaneça na Série C e esteja entre os dois primeiros colocados no estadual. Aí o novo elenco nacionalino terá, ainda, que conquistar o terceiro lugar no amazonense.
O “time da Vila Municipal” ou “Leão Azul” acabou se tornando um celeiro de novos projetos. Foi o caso do São Raimundo, na década de 1990 e início da década de 2000, quando o ex-presidente Manoel Maneca do Carmo Chaves e o ex-diretor Ivan Guimarães lideraram a equipe vitoriosa e que chegou à Série B. O Manaus FC, atualmente o clube melhor posicionado do Estado, na Série C, nasceu com o ex-presidente nacionalino e vereador Luís Mitoso.