24/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Cosems alerta para risco do aumento de casos e nova onda de Covid-19 no Amazonas

Publicado em 16 de novembro, 2021

O Cosems considera importante manter medidas de proteção como o uso de máscaras e de álcool em gel e evitar locais com aglomeração. Foto: Divulgação

Por meio de nota técnica emitida no último dia 10, o Conselho de Secretários Municipais de Saúde (Cosems) faz alerta sobre o risco do aumento de casos de Covid-19 e de uma nova onda da doença no Amazonas. O alerta leva em consideração o recente cenário da doença e o padrão e comportamento da Covid-19 no Estado, com a predominância da variante Delta do novo coronavírus, o início do inverno amazônico e a baixa cobertura vacinal contra a doença nos municípios amazonenses.

A nota técnica cita um estudo publicado na revista “Nature Computacional Science” intitulado “Signature in the different COVID-19 pandemic waves across both hemisferes”, que aborda um padrão semelhante de transmissão sazonal do vírus influenza e a transmissão do SARS-CoV -2, apontando que os fatores climáticos favorecem ou limitam a propagação aérea dos vírus que provocam estas doenças.

“Quando avaliamos o comportamento da doença ao longo do tempo, podemos observar semelhanças entre as duas ondas epidêmicas no Amazonas. Ambas as ondas se propagaram e tiveram seu pico durante o período sazonal caracterizada pelo ‘inverno amazônico’ onde ocorre a maior incidência das doenças provocadas por vírus respiratórios como Influenza A H1N1, Vírus Sincicial Respiratório VRS, Adenovírus, Parainfluenza, Metapneumovírus dentre outros”, diz a nota. “Padrões semelhantes também foram observados considerando os meses que houveram as maiores reduções incialmente nos meses de junho a novembro, período este considerando inter epidêmico.”

“É possível evidenciar o padrão mais ajustado do comportamento sazonal do SARS CoV-2 quando se observa os óbitos ocorridos no período de março de 2020 a outubro de 2021. A partir dos primeiros casos de COVID-19 e a ocorrência de óbitos pela doença os padrões ficam mais evidentes e a redução dos óbitos acontecem após um aumento exponencial caracterizando o pico dos óbitos registrados, bem semelhante as doenças epidêmicas transmissíveis de comportamento sazonal.”

Variante Delta

O Cosems observa também que, em relação às variantes do novo coronavírus, “a maioria das mudanças ocorridas nos vírus podem não ter impacto significativo em suas propriedades. Contudo, algumas modificações genéticas podem representar um risco para a saúde global, sendo os vírus considerados como Variantes de Interesse (VOI) ou Variantes de Preocupação (VOC).”

A primeira amostra da variante Delta no Amazonas foi identificada em 21 de julho deste ano e, a partir daí, houve um aumento progressivo da frequência dessa variante na região, passando de 1% em julho a 40% em setembro.

“No entanto, o maior salto da frequência genômica divulgada pela FIOCRUZ está nas sequências das amostras observadas na primeira quinzena do mês de outubro com a predominância da variante Delta que estava presente em 89% das amostras sequenciadas, demonstrando seu predomínio em um intervalo de dois meses mesmo com o avanço da campanha de vacinação.”

Vacinação

Em relação à baixa cobertura vacinal contra a Covid-19 nos municípios amazonenses (que é de no mínimo 70% da população definida de 12 ano ou mais), a nota técnica observa que, segundo o IBGE, a população do Amazonas é de 4.269.995 habitantes, sendo que a capital Manaus possui 52,8% da população do Estado, cerca de 2.255.903 habitantes.

“Considerando a população elegível (12 anos e mais), o que representa uma população estimada de 3.237.248 hab, observa-se que a cobertura da 1a dose D1 é de 81,1%, (2.637468 hab) enquanto a cobertura vacinal da 2a dose D2 é de 58,2% (1.867564 hab) e Dose única DU 52852 hab. Portanto no Amazonas 546.928 pessoas não tomaram nenhuma dose de vacina considerando a faixa etária prioritária e soma-se a 747.971 que não completaram o esquema da vacinação ou seja não receberam a segunda dose, o que significa que há 1.294.899 que não são consideradas imunizadas no Estado na faixa etária acima de 12 anos. Já a dose de reforço 3a dose em 99.668 pessoas. Portanto o Amazonas apresenta baixa cobertura vacinal. Essa cobertura pode gerar bolsões de suceptiveis e amplificar a transmissão uma vez que há circulação viral”.

O Cosems considera importante garantir as ações de vigilância e busca ativa de casos suspeitos da Covid-19, além da continuidade do uso de máscaras de proteção respiratória, o uso de álcool em gel e evitar locais com aglomeração, sempre que possível.

Leia a nota técnica na íntegra:

Comunicado risco Covid-19 – Cosems

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