
O deputado federal Zé Ricardo criticou Braga Netto e disse que o papel das Forças Armadas é a defesa nacional contra ameaça externa. Foto: Divulgação
O deputado federal Zé Ricardo (PT/AM) se manifestou hoje (22/07) sobre declarações feitas pelo ministro da Defesa, Braga Netto, de que não haverá eleições em 2022 se o projeto do voto impresso não for aprovado pela Câmara dos Deputados.
Para o parlamentar, não é papel das Forças Armadas se envolver com política. “Entendo que as Forças Armadas deveriam cuidar daquilo que é o seu papel constitucional, cuidar da Soberania do Brasil, da Defesa Nacional contra qualquer ameaça externa. Na parte da política, não é o papel das Forças Armadas. Estamos vivendo um Governo militar e alguns generais estão querendo impor regras, inclusive, que não estão na Constituição Federal. Não sou contra a participação de ninguém na política. Mas, se quiser ser político ou militante político, que saia das Forças Armadas e assuma seu papel como militante político”, observou.
Ele considera fundamental garantir a democracia com a realização das eleições. Sobre o voto eletrônico, diz que há uma experiência de vários anos. “Até agora, não mostrou problemas. Nenhum indício e nenhuma denúncia efetivamente de fraudes. Inclusive, o atual presidente foi eleito e reeleito várias vezes e por que só agora questionar? Sem falar que ele ganhou numa eleição apertada, mas não questionou sua vitória ou o sistema eleitoral que o elegeu”, disse.
Zé Ricardo afirmou que o general Braga Neto tem que começar a respeitar a Constituição. “Está no lugar errado, querendo misturar o papel das Forças Armadas com a política, para fazer a gestão do país e tentar mudar o processo eleitoral. Está totalmente fora do que prevê a Constituição Federativa do Brasil”, criticou.
Diante da polêmica, o ministro da Defesa, Walter Braga Netto, disse hoje (22) que não se comunica com os presidentes dos Três Poderes por meio de interlocutores e que as Forças Armadas são instituições comprometidas “com a sociedade, com a estabilidade institucional do país e com a manutenção da democracia e da liberdade do povo brasileiro”.