05/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Treze Estados em colapso têm filas por leitos de UTI para Covid

Publicado em 03 de junho, 2021
Treze Estados em colapso têm filas por leitos de UTI para Covid

Treze Estados em colapso têm filas por leitos de UTI para Covid

Com o agravamento atual da pandemia, ao menos 13 Estados brasileiros e o Distrito Federal enfrentam escassez de leitos UTI e filas crescentes por essas vagas em hospitais.

São eles: Ceará, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Paraná, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Sergipe e Tocantins. São Paulo tem filas por UTIs em alguns municípios, mas o governo João Doria diz não saber precisar o tamanho da fila estadual porque o sistema é descentralizado. Piauí e Maranhão não responderam aos pedidos de informação.

Treze Estados

No Rio Grande do Sul, a fila praticamente triplicou em maio, de 23 em 04/05 para 58 em 31/05. No Rio Grande do Norte, a lista tinha 93 pessoas, a maioria formada por não idosos. No Rio de Janeiro, o número passou de 49 pacientes em 13/05 para 93 em 31/05.

A maior espera por UTI está no Paraná, onde a taxa de ocupação das UTIs é de 96% e a fila por uma vaga quadruplicou em maio. O tamanho da espera nos Estados costuma oscilar de um dia para o outro porque muitas pessoas internadas morrem (em 9 dias, em média) ou recebem alta (em 6 dias, em média), segundo dados do RN.

No início de maio, a fila no sistema de saúde paranaense tinha em torno de 140 pessoas. Agora, são 698, dez a menos que o recorde registrado em março de 2021. Ou seja, o Paraná está próximo de chegar ao pior momento da pandemia até agora.

Mortes

Um levantamento do projeto UTIs brasileiras, liderado pela Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib) em parceria com a empresa Epimed Solutions, indicou que, entre os internados com Covid-19 nas UTIs públicas, 54% foram ao óbito, nas unidades particulares o índice foi de 30%. Os dados consideram o período de 1º de março a 26 de maio, a partir de registros realizados por serviços de saúde de todas as regiões do Brasil.

Para a presidente da Amib, Suzana Lobo, a diferença entre as taxas de mortalidade estão relacionadas a pelo menos três fatores. “Os pacientes atendidos no sistema público já chegam aos hospitais com quadros mais graves.

Piores resultados

Além disso, as UTIs públicas apresentam uma taxa de ocupação maior que as particulares. Por fim, a internação acontece em um prazo maior no serviço público, o que impacta na evolução dos casos”, afirmou Suzana.

Segundo Suzana, os pacientes da rede pública também utilizam mais os recursos das Unidades de Terapia Intensiva, como o suporte ventilatório e o suporte renal (diálise). “Isso demonstra que os pacientes da rede pública chegam ao atendimento com quadros mais graves e consomem mais os recursos da UTI, consequentemente, esses pacientes têm piores resultados”, explicou.

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