A primeira Audiência de Instrução e Julgamento do caso “Belota”, realizada hoje (03/04), durou oito horas, sem pausa para o almoço, e o principal acusado, Jimmy Robert de Queiroz Brito, surpreendeu os presentes ao apontar a mulher do avô, chamada Olga, como mentora intelectual dos crimes. Ela teria plenajeado as mortes de Maria Gracilene Roberto Belota, tia dele, da filha dela Gabriela Roberto Belota, prima, e de Roberval Roberto de Brito Belota, pai do acusado. O motivo do crime, ocorrido em janeiro deste ano, seria uma herança em torno de R$ 200 mil.

Jimmy Robert, em foto do perfil dele no FaceBook, abraça a mãe, que está ao lado da tia e da prima. Ele é acusada de matar as duas mulheres que trataram da mãe até o falecimento dela, de câncer
A juíza titular da 1ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Manaus, Mirza Telma Cunha, que presidiu a audiência, disse que o suposto envolvimento de uma quarta pessoa no crime, a princípio, não mudará o andamento do processo. “Essa fase está praticamente concluída e as informações apresentadas nesta audiência seguirão para o Ministério Público e, se houver um entendimento de que há necessidade de um aditamento, o MP fará isso”, afirmou. Caso contrário, o Ministério Público apresentará os memoriais ou as alegações relacionadas aos depoimentos das testemunhas e interrogatório dos acusados.
“Apresentado os memoriais do MP, os três advogados terão acesso a essas informações e também apresentarão os seus. Tão logo estejam nos autos, proferirei a sentença”, esclareceu a juíza. A sentença poderá ser divulgada em maio, dependendo do que for apresentado nas próximas semanas. A magistrada ressaltou que essa decisão “não se trata de uma sentença final”.
A audiência aconteceu no Salão Nobre do Fórum Ministro Henoch Reis, e teve a presença do promotor público Fabio Monteiro, advogados de defesa, imprensa, estudantes de Direito e familiares dos acusados.

Jimmy, hoje (03/04), diante da juíza Mirza Telma: Olga é novo elemento no crime ou apenas manobra para confundir o Judiciário?
Testemunhas
A primeira testemunha ouvida foi o investigador da Polícia Civil Marcelo Saturnino Maricaua, o primeiro a chegar à cena do crime. Depois, a juíza ouviu as domésticas que trabalhavam para o pai de Jimmy, Roberval Roberto, e para a coordenadora da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa), Maria Gracilene, ambos vítimas dos acusados. Jimmy Robert entrou na sala de audiência com os outros dois acusados, Rodrigo de Moraes Alves e Ruan Pablo Bruno Cláudio Magalhães, mas, ao depor, Rodrigo e Ruan foram retirados da sala.
A surpresa no interrogatório de Jimmy foi a acusação contra Olga. De acordo com o acusado, eles receberiam uma parte do dinheiro da herança que caberia a ela. “Tivemos vários encontros na Ponta Negra e, logo na primeira vez, a Olga teve o cuidado de desligar o celular e pediu que eu também desligasse. Acertamos tudo. Ela, posteriormente, me passou o dinheiro para comprar o que seria necessário para executar o plano”, disse, informando ainda que Olga teria lhe repassado R$ 1 mil.
O promotor Fábio Monteiro disse que o Ministério Público espera uma pena alta para os três acusados. Maria Gracilene Roberto Belota, a filha dela, Gabriela, e Roberval de Brito Roberto Belota, irmão de Gracilene, foram mortos no dia 22 de janeiro deste ano. Roberval era pai de Jimmy.
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