
A Federação Única dos Petroleiros (FUP) e sindicatos fazem nova ação da campanha por combustíveis a preço justo. Foto: Divulgação.
Com o lema “Gás a preço justo, comida no prato e vacina no braço”, a Federação Única dos Petroleiros (FUP) e seus sindicatos, em parceria com a Central de Movimentos Populares (CMP) e outras organizações sociais, realizaram na quinta-feira (29/4) nova ação da campanha “Combustíveis a Preço Justo”. O principal objetivo da campanha é alertar a população sobre como a política de reajustes dos combustíveis adotada pela gestão da Petrobras em outubro de 2016, baseada no Preço de Paridade de Importação (PPI), afeta não apenas os preços dos derivados, mas também eleva preços em outros setores da economia, como os de alimentos e transportes.
As mobilizações ocorreram em 11 cidades do país, entre as quais Manaus, e ofertaram botijões de gás de cozinha por valores entre R$ 29 e R$ 50, de acordo com a região, o que equivale a menos da metade do valor médio cobrado por revendedores locais. Além dos botijões, as ações distribuíram cestas de alimentos, máscaras de proteção contra a Covid-19 e itens de higiene para prevenção à pandemia, como álcool gel.
O preço do gás de cozinha tem agravado ainda mais a já delicada situação econômica da população brasileira. Somente nos quatro primeiros meses deste ano, o produto subiu 22,7% nas refinarias da Petrobrás. Nos últimos 12 meses, o botijão teve alta recorde de 18,2% para o consumidor, sendo 10,5% somente no primeiro trimestre deste ano e 4,6% em março.
O reflexo da alta do gás de cozinha abalou o setor de alimentação e bebidas, que encareceu em 14,5% no último ano e 2,2% apenas nos três primeiros meses de 2021.
“É cada vez mais comum ver famílias utilizando lenha para cozinhar. E não por escolha, ao contrário do que tentam passar, mas sim por não ter dinheiro para pagar até R$ 120 por um botijão de gás de cozinha. As pessoas têm que escolher entre comer ou comprar gás, isso quando têm o que comer. Tudo isso é resultado da incompetência do governo de Jair Bolsonaro, que não garante vacina para a população, vem deixando 19 milhões de pessoas passando fome, oferece um auxílio emergencial pífio e já registra mais de 400 mil mortos pela Covid-19. E ainda mantém uma política de reajustes de combustíveis que penaliza toda a sociedade brasileira, principalmente os mais pobres”, diz o coordenador geral da FUP, Deyvid Bacelar.
O objetivo principal das ações é conscientizar a população sobre como a política de preços adotada pela Petrobrás desde outubro de 2016, baseada no Preço de Paridade de Importação (PPI), afeta diretamente a vida de todos. A consequência do aumento dos combustíveis pode ser sentida em outros setores, como o de alimentos. E impacta diretamente toda a cadeia produtiva, pressionando a inflação.
Os preços justos de gasolina, diesel e gás de cozinha que são ofertados nas ações, a depender da localidade onde são feitas, foram definidos a partir de estudos elaborados por técnicos e economistas, levando em consideração os preços e custos da Petrobras e a garantia de lucratividade de empresas produtoras, distribuidoras e revendedores. O que prova que o consumidor não precisa e não deve pagar essa conta.
A FUP alerta que, enquanto o Preço de Paridade de Importação (PPI) estiver no centro da política de reajustes da Petrobrás para os derivados do petróleo, os preços dos combustíveis vão subir com frequência para o consumidor final.
A forma de cálculo adotada no governo Temer, em outubro de 2016, faz com que os preços do mercado interno acompanhem as cotações do petróleo no mercado internacional, as oscilações do dólar e as importações de derivados. Este cenário deve piorar se a privatização das refinarias da Petrobras se concretizar, aumentando o desemprego, além de fazer disparar os preços já elevados dos derivados de petróleo.