O Hospital e Pronto Socorro João Lúcio Pereira Machado, na Zona Leste de Manaus, receberá recursos federais e apoio dos hospitais de referência nacional Sírio Libanês, Albert Einstein, Hospital do Coração, Samaritano, Alemão Osvaldo Cruz e Moinhos de Vento, além do Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into). Só vai depender do levantamento das necessidades nos diversos núcleos de atuação do hospital, a ser feito nos próximos 30 dias. O anúncio foi feito pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, em Brasília.

Hospital João Lúcio terá mais recursos federais para superar as deficiências no atendimento público e gratuito
O João Lúcio tem gestão compartilhada entre o Governo do Amazonas e a Prefeitura de Manaus. O apoio que receberá visa integrá-lo ao programa do SOS Emergências, estratégia para a qualificação da gestão e do atendimento em grandes hospitais que atendem pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
O hospital realizou, de janeiro a dezembro do ano passado, 7.978 internações e, no mesmo período, mais de 1,2 milhão de atendimentos. A unidade conta atualmente com 232 leitos 100% SUS, sendo 30 de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), inclusive UTI Adulto Tipo II. É hospital Tipo II em Urgência; Assistência de Média e Alta Complexidade em Neurologia e Neurocirurgia, e Serviço de Atenção Domiciliar.
A presidente da República, Dilma Rousseff, e o ministro Padilha lançaram, em novembro de 2011, a iniciativa, que integra a Rede Saúde Toda Hora. A estrutura já abrange 12 hospitais de grande porte, localizados em dez capitais: Recife (PE), Rio de Janeiro (RJ), Fortaleza (CE), Salvador (BA), Brasília (DF), Belo Horizonte (BH), Goiânia (GO), São Paulo (SP), Porto Alegre (RS) e Ananindeua (PA). Até 2014, o programa vai alcançar os 40 maiores prontos-socorros brasileiros, abrangendo todos os 26 Estados e o Distrito Federal (DF).
Os hospitais selecionados são referências regionais, possuem mais de 100 leitos, tem pronto-socorro e realizam grande número diário de internações e atendimentos ambulatoriais. Os serviços da Rede Saúde Toda Hora englobam o Samu 192, Unidade de Pronto Atendimento (UPA 24 horas), Salas de Estabilização, serviços da Atenção Básica e Melhor em Casa.
Recursos
A unidade vai contar com R$ 3,6 milhões/ano de custeio e qualificação do atendimento, e terá investimento de R$ 3 milhões/ano para a realização de obras e aquisição de equipamentos nos prontos-socorros. Os investimentos serão definidos em conjunto com a unidade, após avaliação.
Nos 12 hospitais que já aderiram ao programa, Padilha destaca que houve diminuição na fila e na superlotação. “Estamos enfrentando, com Estados e Municípios, os problemas das maiores urgências e emergências do País. Cada hospital terá de fazer um levantamento da sua capacidade atual de gestão e da qualidade do atendimento oferecido e, a partir deste diagnóstico, serão definidas as melhorias que serão feitas, com investimento e apoio do Ministério da Saúde”, explica.
Também poderá ser feito o repasse mensal de R$ 300 mil para o trabalho dos Núcleos de Acesso e Qualidade Hospitalar (NAQH), que serão instalados em cada unidade e responsáveis pelo diagnóstico das principais dificuldades relacionadas à porta de entrada de emergência, apontando as medidas a serem adotadas. Cada núcleo é formado por representantes do Ministério, das secretarias estadual e municipal de Saúde e do hospital.
A previsão é que no prazo de 30 dias os núcleos façam um diagnóstico em relação à quantidade de leitos, e também da capacidade de ampliação da rede de atendimento domiciliar do Município, que passará a receber recursos federais.
Para qualificar a assistência, serão adotadas medidas como o acolhimento e classificação de risco dos pacientes. Isso significa que ao entrar no hospital, o paciente será acolhido por uma equipe que definirá o seu nível de gravidade e o encaminhará ao atendimento específico de que necessita. Também será organizada a gestão de leitos, fluxo de internação e a implantação de protocolos clínico-assistenciais e administrativos.
O Ministério da Saúde repassou, em 2012, R$ 16,5 milhões para custear os atendimentos hospitalares no João Lúcio.
Rede
A parceria com os Hospitais de Excelência no Brasil, Einstein, Sírio Libanês e os demais, se dará por meio de levantamento de necessidade e plano de trabalho individualizado do hospital, que poderá utilizar-se da Telessaúde, ferramenta de comunicação a distância que presta teleconsultoria, segunda opinião médica e capacitação à distância, além de outras formas de processos de formação em temas de relevância para a unidade.
Quem foi João Lúcio Pereira Machado
Nascido em Humaitá (AM), o médico cirurgião João Lúcio Pereira Machado era também “parintinense honorário”, por ter morado muitos anos em Parintins (AM), acompanhando o pai, juiz de Direito. Ele se formou pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e foi um dos fundadores do curso de Medicina da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e o primeiro diretor e organizador do Pronto-Socorro 28 de Agosto.
João Lúcio trabalhou muitos anos na Santa Casa de Misericórdia. Leitor voraz, inclusive em inglês e francês, deixou vasta coleção de artigos científicos e uma enorme biblioteca para os filhos, que a armazenam numa sala da Santa Casa de Misericórdia.
Apesar de médico, João Lúcio fumava desde os 10 anos e teve um câncer de pulmão. Conseguiu a cura, mas contraiu enfisema pulmonar que o levou. Nasceu em 1933 e faleceu em 1998, aos 65 anos. O governador Amazonino Mendes, diante da comoção que a morte provocou na cidade, decidiu homenageá-lo com o nome do hospital, inaugurado pouco depois.
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