
Irmãs Lins passaram por duro teste de opinião pública, no primeiro dia de vacinação contra Covid-19 em Manaus
As irmãs Gabrielle e Isabbele Lins estavam no plantão, em Unidade Básica de Saúde (UBS), quando foram vacinadas contra Covid-19. A Prefeitura decidiu acelerar o processo de vacinação dos profissionais de saúde, começando pelas UBS que atendem até à noite. As duas fotografaram o ato e publicaram nas mídias sociais pessoais. Sofreram uma explosão de ataques. Diante da gravidade da pandemia no Amazonas e da escassez do produto, vacina se tornou o artigo mais procurado no País. E a vigilância sobre a aplicação delas é igualmente explosiva.
Para completar, a modelo e miss Amazonas Mariana Castilho também postou foto, supostamente sendo vacinada. Mariana depois se explicou, em vídeo, dizendo que tomou “outra vacina”. Veja o vídeo:
A Prefeitura informa que tem 109 profissionais de saúde de licença por terem contraído a Covid-19. Médico se tornou profissional raro e disputado. Alguns recebem até R$ 2 mil por plantão, na linha de frente da pandemia.
As irmãs Lins rebateram as críticas. “Que Deus proteja os anjos da linha de frente do Covid! Além do caos temos que enfrentar a inveja e o ódio do ser humano”, escreveram.
As duas médicas trabalham na UBS Nilton Lins. Foram nomeadas nesta segunda (18/01), como gerentes de projeto, com salários de R$ 8 mil. Mas, segundo elas, atuam como médicas desde o dia 12/01, numa extensão da UBS exclusiva para Covid-19. “A unidade funciona de domingo a domingo. São três médicos por plantão, todo dia, e cada um atende 150 pessoas”, disse Gabrielle.
Um advogado chamou atenção para possível “desvio de função”. “Gerente de projeto não é função médica e pessoal da área administrativa não pode atuar nas áreas fins”, disse. “Há um decreto de emergência, diante da pandemia, que permite o mais, ou seja, até mesmo a contratação sem licitação. Então deve permitir o menos, que é aproveitar um cargo vago de servidor administrativo e atender à população com médico, num momento crucial”, disse o procurador-geral do Município, Marco Aurélio Choy.
Em tempos de comunicação online, as informações voaram. Os registros das duas médicas no Conselho Regional de Medicina do Amazonas (Cremam), logo apareceram. Gabrielle se registrou dia 21/05/2020 e Isabelle dia 22/12/2020. O ato de nomeação e a portaria que estabelece os salários para os cargos nomeados também entraram no liquidificador da corrente de opinião.
Até a juíza federal Jaiza Pinto Fraxe entrou na polêmica. Escreveu na conta do Twitter: “Faço um apelo. Não furem a fila da vacina. Não deixem ninguém furar. Denunciem às autoridades federais competentes para as providências cabíveis. O povo do Amazonas não merece isso. Estamos lutando pelo direito constitucional à vida digna. Não sabotemos uns aos outros”.
O Governo do Estado, também atacado, chegou a soltar nota, explicando que apenas distribui as vacinas, mas a aplicação delas é feita pelas Prefeitura Municipais.
A Prefeitura soltou uma Nota Oficial, explicando o imbróglio. Disse que as irmãs estão entre dez médicos nomeados para compor o grupo de execução do plano emergencial e gerenciar projetos. Depois, diante da necessidade, os profissionais médicos foram remanejados para a linha de frente da Covid-19.
“… nada houve de ilegal, pois (Gabrielle e Isabelle) fazem parte do grupo preferencial e estavam no exercício de suas funções”, conclui a nota.
“Diante dos fatos publicados nas redes sociais, sobre eventuais desvios de vacinas para pessoas não vinculadas ao grupo preferencial de trabalhadores da saúde, definido pelo Ministério da Saúde informamos que:
Concluímos asseverando que nada houve de ilegal, pois fazem parte do grupo preferencial e estavam no exercício de suas funções.”