O José Aldo que cansava ao final do primeiro round e corria riscos desapareceu, ontem, diante do mais difícil adversário que enfrentou nas suas agora 15 vitórias seguidas nas artes marciais misturadas. O amazonense venceu o norte-americano Frankie Edgard, em quatro dos cinco rounds da luta válida pelo cinturão do peso pena (62kg a 66kg), no Mandalay Bay, em Las Vegas, diante de 12 mil pessoas.
“Obrigado Manaus. Valeu Arthur”, disse o campeão, ao final da luta, agradecendo pelo patrocínio da Prefeitura de Manaus, cuja logomarca ocupa pequeno espaço no banner de patrocinadores do lutador. José Aldo, na última campanha, caminhou nos bairros e pediu voto para a adversária de Arthur, Vanessa Grazziotin. “Isso não importa. A cidade tem que estar ao lado dos seus filhos que se destacam e a preferência política dele é o que menos interessa”, disse o prefeito, ao assinar o patrocínio.
Arthur também está patrocinando outro lutador amazonense. Trata-se de Marco Aurélio “Loro” Galvão, que disputa o cinturão dos peso galo do Bellator, associação rival do UFC, dia 14/02, na Carolina do Norte (EUA), contra o também brasileiro Eduardo Dantas. “Loro” é uma espécie de “mascote” de Arthur, que é faixa vermelha e preta de jiu-jítsu e o conhece desde menino.
Estratégia demolidora
O técnico de José Aldo, André Pederneiras, sócio da academia carioca Nova União, deu um show de estratégia na luta de ontem. “Está tudo certo. Agora é só fazer o ‘um dois’. Como você está usando as duas mãos ele não sabe de onde estão vindo os golpes. Bata também com os pés”, disse, ao final do primeiro round, claramente vencido pelo amazonense.
Tranquilo e extremamente disciplinado, Aldo seguiu a prescrição, assim como, ao final do segundo round e em todos os demais. Inclusive quando, entre o terceiro e o quarto, recebeu a ordem de ter cautela e não tentar nocautear. “Calma. Vamos administrar. A hora de você nocautear vai chegar”, disse Dedé, temendo que, outra vez, a força empregada num único assalto tornasse o campeão vulnerável.
No quarto e no quinto assaltos, diante de um José Aldo cauteloso, Frankie Edgard mostrou porque é temido por todos os adversários. Ele conseguiu uma queda e até mesmo um clinche em que segurou o brasileiro pelas costas, tentando derrubá-lo, sem conseguir, no quarto round. Convenceu os jurados e venceu pelo menos esse.
Ao longo de toda a luta José mostrou que estava muito bem treinado e conhece o adversário. Explorando a envergadura maior, ele desferiu jabs rápidos, com a mão esquerda, castigando duramente o rosto de Frankie, diante de uma torcida dividida entre brasileiros e norte-americanos. Ao final, Frankie Edgard estava com o rosto cheio de hematomas, o olho esquerdo fechado e frustrado. “E agora? Você vai voltar ao peso leve (67kg a 70kg) ou vai para o peso mosca?”, indagou Joe Rogan, o principal repórter do UFC. “Não sei. Agora eu preciso ir para casa”, disse. José Aldo, sem marcas no rosto, pode ter carimbado o passaporte dele para fora da categoria em que domina o cinturão.
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