Uma reunião convocada pelo líder do Governo Federal no Senado, Eduardo Braga (PMDB-AM), que acumula o cargo de coordenador da bancada federal do Estado, não teve a presença do prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto (PSDB-AM). Estavam presentes, além de Braga, a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), adversária de Arthur na eleição que o elegeu, e os deputados federais Átila Lins (PMDB) e Silas Câmara (PSD). Vanessa se recusou a destinar recursos no Orçamento da União para a Prefeitura de Manaus, este ano, e Braga, um dos principais cabos eleitorais dela, desviou tudo o que havia destinado à capital para Municípios do interior.

Átila, Silas, Braga, Vanessa e o ex-senador João Pedro, na reunião com os prefeitos do Amazonas, em Brasília
Os prefeitos foram pedir ajuda para a liberação de recursos, renegociação de dívidas e orientação para acesso a políticas do governo federal voltadas para os Municípios. Eles estão em Brasília para participar do Encontro Nacional com Novos Prefeitos e Prefeitas, organizado pelo Governo Federal.
Braga colocou à disposição os contatos de sua assessoria no Senado, para auxiliar na solução de questões técnicas e jurídicas em relação a convênios e parcerias entre a União e Municípios. A presidente Dilma Rousseff anunciou ontem que pretende investir R$ 66,8 bilhões em projetos desenvolvidos diretamente pelos Municípios.
“Sabemos que muitos municípios estão inadimplentes com o Governo Federal e queremos ajudar no que for necessário para resolver essa e outras questões que afligem as prefeituras”, disse o senador. Ele também disse que pode intermediar reuniões em ministérios e secretarias para que os prefeitos apresentem demandas dos Municípios. “Acima de qualquer questão partidária ou política, quero dizer que vocês podem contar comigo para o que necessitarem”, acrescentou.
O Governo Federal tem anunciado disponibilidade de recursos para reforma e construção de aeródromos, subsídio de passagens áreas para aviação regional, fornecimento de energia elétrica, garantia de mais médicos especialistas para o interior e outros. Nada disso, porém, pode ser repassado se os Municípios estiverem inadimplentes com prestação de contas em qualquer convênio federal.
O presidente da Associação Amazonense de Municípios (AAM), Jair Souto, que desde o dia 1º de janeiro deixou de ser prefeito de Manaquiri (AM), disse que as prefeituras precisarão de ajuda para ter acesso aos programas, pois, segundo explicou, a burocracia exigida para a obtenção dos recursos é grande.

Muitos dos novos prefeitos estão em Brasília na esperança de conseguir ajuda para desatar os nós que os antecessores deixaram
A dívida com a Previdência Social, herdada de gestões anteriores, que não repassaram o imposto recolhido dos trabalhadores para o órgão, foi outro tema do encontro. Eles sugeriram a realização de mudanças na legislação e melhor negociação das dívidas. “Essa dívida do INSS não vai diminuir nunca. O prefeito que não recolheu o benefício tem que ser punido porque do contrário quem enfrenta o problema é o prefeito seguinte”, desabafou o prefeito eleito de Tabatinga, Raimundo Carvalho Caldas, o “Calango”.
A ida dos prefeitos a Brasília acirra ainda mais a disputa de bastidores por lideranças que possa servir de apoio na eleição para o Governo do Estado, em 2014, quando o atual governador, Omar Aziz (PSD), não pode concorrer à reeleição.
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