
Desembargador do AM suspende decisão e narcotraficante Mano G fica em presídio federal. Foto: Arquivo
O desembargador Sabino da Silva Marques acatou ainda na quarta-feira (16/12) recurso de Agravo Regimental interposto pelo Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) e suspendeu os efeitos da decisão liminar monocrática proferia por ele mesmo, em que concedeu Habeas Corpus (nos autos nº 4008002-05.2020.8.04.0000) em favor de Gelson Lima Carnaúba, o narcotraficante Mano G, com expedição do respectivo alvará de soltura, caso o réu não estivesse preso por outro motivo.
Gelson Lima Carnaúba figura como réu nos autos da Ação Penal n.º 0211235-62.2018.8.04.0001, que tramita na 2.ª Vara da Comarca de Manaus e encontra-se em Presídio Federal. A suspensão da decisão de Segundo Instância mantém a prisão de Carnaúba, com a expedição de um novo mandado de prisão.
Na 1.ª Instância, o processo n.º 0211235-62.2018.8.04.0001 tramita em segredo de Justiça e a 2.ª Vara do Tribunal do Júri informou que a Ação Penal segue em trâmite regular, considerando a complexidade do caso, e que o réu em questão foi inclusive interrogado no último mês de setembro, por videoconferência. Neste momento, a fase de instrução processual encontra-se na etapa de apresentação de memoriais (alegações finais) pelas partes.
Gelson Carnaúba é considerado de alta periculosidade e foi duas vezes denunciado pelo Ministério Público como sendo um dos principais autores intelectuais da chacina de 2002, quando 14 pessoas foram assassinadas, e do “massacre” de janeiro de 2017, quando 56 internos foram mortos, ambos no regime fechado do Compaj. Do massacre de 2017 ele foi apontado como um dos mentores do episódio.
Mano G é um dos fundadores da Família do Norte (FDN), um dos maiores grupos criminosos em ação no País, ao lado dos narcotraficantes José Roberto Fernandes Barbosa, o Zé Roberto da Compensa, e João Pinto Carioca, o João Branco. Os três estão na lista de 17 presos denunciados como autores intelectuais, interlocutores e executores do massacre no complexo Anísio Jobim há 3 anos.
A ordem para execução do massacre partiu do capo de “tutti capi” Zé Roberto, hoje preso em Campo Grande, com apoio de Mano G e João Branco. Na época da chacina, a trinca comandava a FDN. Entre os emissários que levaram a ordem estava a esposa de José Roberto, Luciane Albuquerque de Lima, para fazem chegar a carta a todos. A rebelião foi acertada para iniciar às 16h, aproveitando as comemorações da virada do ano.
Zé Roberto consolidou a FDN entre 2010 e 2012, para dominar o tráfico na região, mesmo estando preso no período em Porto Velho (RO). De lá, passou a unir “gerentes” no consórcio do tráfico e grandes somas em dinheiro para adquirir droga diretamente dos produtores vizinhos, como Colômbia e Peru.
A família se firmou como a maior e mais influente facção no sistema carcerário local. João Branco atuou no narcotráfico no Mauazinho, com diversos antecedentes criminais, e reconhecido no mundo do crime pela extrema violência e crueldade, inclusive como ativo integrante do Tribunal do Crime. Ele foi condenado pela morte do delegado da Polícia Civil Oscar Cardoso.
A família coordenou a maior rebelião da história dos presídios amazonenses até então, culminando na fuga de 176 presos. Vinculada ao CV, o grupo chegou a ter, segundo dados da Polícia Federal, aproximadamente 200 mil membros cadastrados, mostrando-se a maior organização criminosa do Brasil em números absolutos de filiados, com um lucro auferido entre R$ 6 milhões e R$ 12 milhões de por ano.