
Líder da maior facção é solto de presídio federal por desembargador do AM em decisão monocrática. Foto: Arquivo
O desembargador do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM), Sabino da Silva Marques, determinou a soltura do preso Gelson Lima Carnaúba, o Mano G, um dos principais líderes de facção criminosa do Estado do Amazonas, que cumpre pena no Presídio Federal de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul. A decisão monocrática foi tomada nesta segunda-feira (14).
Carnaúba foi condenado a 120 anos de prisão pela chacina ocorrida em maio de 2002 no Complexo Penitenciário Anísio Jobim (Compaj), que resultou na morte de 12 presos e um agente penitenciário. A decisão do magistrado atendeu habeas corpus número 4008002-05.2020.8.04.0000, impetrado alegando excesso de prazo: “Isto posto, caracterizado o constrangimento ilegal imposto ao paciente, por excesso de prazo, concedo liminarmente a ordem impetrada, ordenando seja expedido o competente alvará de soltura em seu favor com qualificação existente nos autos, devendo ser posto em liberdade incontinenti da unidade prisional”, diz a decisão de Sabino.
Gelson Carnaúba é considerado de alta periculosidade e foi duas vezes denunciado pelo Ministério Público como sendo um dos principais autores intelectuais da chacina de 2002, quando 14 pessoas foram assassinadas, e do “massacre” de janeiro de 2017, quando 56 internos foram mortos, ambos no regime fechado do Compaj. Do massacre de 2017 ele foi apontado como um dos mentores do episódio.
Mano G é um dos fundadores da Família do Norte (FDN), um dos maiores grupos criminosos em ação no País, ao lado dos narcotraficantes José Roberto Fernandes Barbosa, o Zé Roberto da Compensa, e João Pinto Carioca, o João Branco. Os três estão na lista de 17 presos denunciados como autores intelectuais, interlocutores e executores do massacre no complexo Anísio Jobim há 3 anos.
A ordem para execução do massacre partiu do capo de “tutti capi” Zé Roberto, hoje preso em Campo Grande, com apoio de Mano G e João Branco. Na época da chacina, a trinca comandava a FDN. Entre os emissários que levaram a ordem estava a esposa de José Roberto, Luciane Albuquerque de Lima, para fazem chegar a carta a todos. A rebelião foi acertada para iniciar às 16h, aproveitando as comemorações da virada do ano.
Zé Roberto consolidou a FDN entre 2010 e 2012, para dominar o tráfico na região, mesmo estando preso no período em Porto Velho (RO). De lá, passou a unir “gerentes” no consórcio do tráfico e grandes somas em dinheiro para adquirir droga diretamente dos produtores vizinhos, como Colômbia e Peru.
A família se firmou como a maior e mais influente facção no sistema carcerário local. João Branco atuou no narcotráfico no Mauazinho, com diversos antecedentes criminais, e reconhecido no mundo do crime pela extrema violência e crueldade, inclusive como ativo integrante do Tribunal do Crime. Ele foi condenado pela morte do delegado da Polícia Civil Oscar Cardoso.
A família coordenou a maior rebelião da história dos presídios amazonenses até então, culminando na fuga de 176 presos. Vinculada ao CV, o grupo chegou a ter, segundo dados da Polícia Federal, aproximadamente 200 mil membros cadastrados, mostrando-se a maior organização criminosa do Brasil em números absolutos de filiados, com um lucro auferido entre R$ 6 milhões e R$ 12 milhões de por ano.