O rompimento de uma adutora de 800 milímetros (80 centímetros) do fornecimento de água de Manaus, na rua Flores com Danilo de Matos Areosa, no bairro da Compensa, nesta segunda-feira, provocou o vazamento de 1 milhão e 350 mil litros de água no local. Uma verdadeira cachoeira se formou, em alguns pontos, atingindo mais de um metro de profundidade, em surpreendente velocidade, arrastando carros e tingindo em torno de 110 casas. “Vazou cerca de 1,5 mil litros por segundo”, disse o presidente da Manaus Ambiental, Alexandre Bianchini, hoje, na rádio CBN Manaus.
O dirigente afirma que a central de monitoramento online da concessionária, responsável pela vigilância da tubulação de água na cidade, desligou o fornecimento na área rompida em apenas 30 segundos. “A água continuou pressurizada, na tubulação, até que escorresse toda, o que durou cerca de 15 minutos”, disse Bianchini.
O rio Amazonas, com 6.868 quilômetros de extensão e média de 12km de largura, corre a 200 mil metros cúbicos por segundo. O rio Negro, em frente a Manaus, corre a 50 mil metros cúbicos por segundo. Um metro cúbico corresponde a mil litros.
“Esse acidente corresponde ao rompimento de uma barragem. Daí resultou toda enorme vazão, velocidade e arrasto provocado pela água”, disse um engenheiro, consultado pelo blog.
A Manaus Ambiental garante que “não ficará nenhum graveto para trás” e todas as famílias que tiveram as casas invadidas pelo vazamento serão indenizadas. Ainda na segunda-feira, após a contenção do problema, 25 dessas famílias foram hospedadas nos hotéis Central e San Paul, além de ter sido fornecida alimentação para quem não aceitou a mudança, afirma o presidente da empresa.
Armando do Nascimento Ramos, 36, foi a única pessoa que se feriu gravemente. Ele fraturou três costelas e está internado em estado grave no Hospital João Lúcio. A filha dele, Amanda Ramos, disse que o pai deveria ser submetido a cirurgia, ainda hoje (16/01). “Nossa casa está para desabar”, queixou-se.
Uma academia de ginástica, que ficava no fim da rua, não resistiu ao impacto da água e desabou. “Vamos reconstruí-la”, disse Bianchini.
O prefeito Arthur Virgílio Neto esteve no local, hoje pela manhã, afirmando que “esse foi o último acidente que ocorreu em minha gestão com a Manaus Ambiental”. Se algo parecido voltar a ocorrer, garantiu, “o contrato (de concessão do fornecimento de água, que é do Município) será rompido”.
Alexandre Bianchini disse que, em 25 anos de saneamento, nunca tinha visto um caso assim. “A adutora é nova, de ferro fundido e a pressão no local estava bem abaixo do que ela é capaz de suportar. Mandamos o cano para o fabricante, para ver o que aconteceu”, disse. O fornecimento voltou a ser restabelecido hoje, pela manhã, mas alguns moradores ainda se queixam de falta d’água.
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