07/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Rugby: Desespero e heroísmo nas mortes no torneio em Iranduba: ‘Se afogaram para salvar vidas’, revela testemunha

Publicado em 26 de novembro, 2020

Rugby: Desespero e heroísmo

Rugby: Desespero e heroísmo, somente agora revelados, nas mortes de Pedro Coutinho (esquerda) e Roberto Flavian, jogadores que morreram afogados

Um torneio internacional, com atletas de vários continentes, brasileiros, coreanos, argentinos e ingleses, em plena pandemia. A competição, na quase desconhecida comunidade São Thomé, Lago de Acajatuba, em Iranduba (AM), na Região Metropolitana de Manaus, estava passando despercebida. Até que, na tarde de sábado (21/11), o Corpo de Bombeiros noticiou o resgate de dois corpos “de jogadores de rugby”, no lago onde fica a comunidade. Mas a história não para por aí.

Roberto Flavian da Silva Cardoso, 40, do Grupo de Rugby da Universidade do Amazonas (GRUA), e Pedro Augusto Coutinho, 28, do Lechuza Rugby Clube (SP), morreram afogados. “Morreram como heróis. O Flavian salvou o filho, Vitor, que não sabe nadar. E o Pedro salvou a vida do colega de time Caio Cruz”, revela Fábio Daniel, um dos coordenadores da Taça Baré de Rugby.

Flavian, funcionário da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), de Manaus, teve a morte lamentada pelo secretário Marcelo Magaldi. “Era um funcionário exemplar”, disse.

Pedro Coutinho foi o destaque do Lechuza, de Sorocaba (SP), na final da Série C paulista de rugby, que classificou o time para a Série B. Policial penal, lotado na penitenciária sorocabana, Pedro marcou um hat-trick, com três try, no jogo contra os Jaguars de Jaguaripuna. O jogo foi disputado no dia 20/10 deste ano.

 

A história completa

Fábio Daniel conta que cerca de 100 atletas, participantes do torneio, deixaram a Marina do Davi, em Manaus, às 17h da mesma sexta (20/11). Os anfitriões, atendendo à ânsia de conhecer mais da natureza amazônica dos participantes, organizaram um luau de recepção. A praia do Jacaré, que fica em frente à comunidade de São Thomé, a uns 15 minutos de barco, foi o local escolhido.

“O combinado era que o barco fosse até a praia, para que todos saíssem andando. Isso não foi possível, devido à vazante. O barco chegou a encalhar. Como estávamos a menos de 15 metros da praia e a água estava na cintura decidimos pegar o bote, usado para translado do preparo do luau, e fazer a travessia dos atletas. A maioria foi transportada desse forma e outros foram andando por dentro da água”, revela o dirigente.

O luau iniciou às 22h, “sem presença de bebidas alcoólicas”, garante Fábio. “Percebemos que o barco se distanciou, ficando a, aproximadamente, uns 700 metros da praia. À meia-noite começamos a nos organizar para a partida, sendo que o barco manteve a distância”, continua.

“O tempo começou a mudar, o céu escureceu, com muitos trovões. Como o barco não se aproximou decidimos pegar o bote e fazer novamente o translado até lá. Enviamos primeiro mulheres e crianças. Mesmo o capitão vendo a nossa dificuldade de chegar no barco, não se aproximou”, acrescenta.

 

O acidente

“Na terceira viagem do bote, até o barco, foi que aconteceu a tragédia. Começou a entrar água pela proa do bote. Solicitamos que o piloto parasse, mas, não fomos atendidos”, diz Fábio Daniel.

Flavian e Pedro Coutinho, após o salvamento de Vitor e Caio Cruz, não foram mais vistos. Só na tarde do dia seguinte, sábado (21/11), mergulhadores do Corpo de Bombeiros conseguiram resgatar os corpos.

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