
A pesquisa para o livro “Capoeira: o patrimônio gingado do Amazonas” foi conduzida por capoeiristas. Foto: Divulgação
Matérias jornalísticas, legislações e discursos políticos, além de registros orais, compõem o livro “Capoeira: o patrimônio gingado do Amazonas”, que será lançado neste sábado (21), às 14h, durante evento online. A publicação refaz o percurso da capoeira no Amazonas desde fins do século XIX. O link do evento é https://youtu.be/GzdaRwrzXHY
A publicação é fruto da parceria entre os mestres e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), autarquia vinculada ao Ministério do Turismo e à Secretaria Especial da Cultura. Desde 2014, o Iphan-AM mobiliza a comunidade de capoeiristas, reunindo capoeiristas, grupos e coletivos para demonstrar o reconhecimento da Roda de Capoeira e do Ofício dos Mestres de Capoeira como Patrimônio Cultural do Brasil, bem como do alcance das políticas públicas de apoio e fomento à manifestação. Os bens também são reconhecidos como Patrimônio Mundial pela Unesco.
“Em 2016, com apoio do Iphan, foi realizado o primeiro Encontro Norte Capoeira. E nos últimos três anos tivemos os seminários da salvaguarda da capoeira no Amazonas”, explica a superintendente do Iphan-AM, Karla Bitar. “Foi no âmbito dos seminários que discutimos questões como a profissionalização e reconhecimento do ofício dos mestres da capoeira, o mapeamento da manifestação no Estado e a própria ideia de se editar o livro com a história da capoeira no Amazonas, que em 2020 concretizamos”.
De acordo com a pesquisa para a elaboração do livro, a capoeira aparece no Amazonas, sobretudo em Manaus, como parte do cotidiano social e cultural desde o século XIX. Na avaliação de Luiz Carlos de Matos Bonates, conhecido como mestre KK Bonates, 61, praticante da capoeira desde os 12 anos, que participou da pesquisa para a publicação, “a história da capoeira no Amazonas se atravessa com a história do Brasil”.
Um desses episódios é a Revolta da Vacina, que ocorreu no Rio de Janeiro, então capital do Brasil, em 1904. Muitos dos presos durante a revolta, que eram capoeiristas, foram remetidos como degredados em embarcações para prisões na região amazônica. Eles acabaram estabelecendo suas vidas em Manaus e interagindo com capoeiristas locais. Mas os registros de capoeiras aparecem nos jornais do Estado desde o período da borracha, quando a região amazônica se tornou a principal fornecedora de látex do mundo, ainda no século XIX.
“Com nossa pesquisa e a publicação, teremos subsídios para formular políticas públicas na capoeira. Foi assim que solicitamos que a capoeira se tornasse também Patrimônio Cultural do Amazonas e vamos pleitear que se torne Patrimônio Cultural de Manaus”, completa KK Bonates, que faz parte da Escola de Capoeira Matumbé, em funcionamento há 41 anos na capital amazonense.