
Manaus se tornou cidade oculta nos programas dos candidatos à sucessão de Arthur Virgílio. Fotos: Divulgação
Uma “cidade oculta”, como no filme do mesmo título, de Chico Botelho (1986), no que se refere à análise da gestão atual. O mesmo vale para propostas para a futura administração. A avaliação é de Gilson Gil, professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e doutor em Sociologia. “A campanha à prefeitura de 2020 exibiu tal faceta: não discutir a cidade”, escreveu.
Gilson afirma que, como no filme estrelado por Carla Camuratti e Arrigo Barnabé, a administração municipal não foi tocada. “Não tocaram nos programas existentes da Prefeitura, nem para criticá-los nem para apoiá-los”, afirma.
“Os candidatos se mostraram mais preocupados em manter certas imagens: experiente, veloz, ágil, inteligente, violento, renovador, cortador de gastos, violento com os marginais, envolvido com a saúde pública etc.” Mesmo Alfredo Nascimento, apoiado pelo prefeito Arthur Virgílio, “evitou falar da atual gestão, preferindo lembrar de suas obras, como Expresso ou as Casinhas da Saúde”.
Mesmo os quatro primeiros nas pesquisas, Amazonino, David, Nicolau e Zé Ricardo, não falam de Manaus. Os programas não apresentaram “números, do orçamento em queda, dos serviços públicos, da gestão de Arthur Neto, dos programas já existentes ou da situação da capital em relação ao Amazonas”.
O caminho escolhido pelos marqueteiros foi outro. “Preferiram mostrar suas imagens, mostrar imagens e slogans ‘fofinhos’, exibir habilidades tecnológicas ou seus sentimentos humanitários. Em momento algum citaram o caixa da Prefeitura, o quanto o prefeito atual vai deixar de recursos, a capacidade de endividamento do Município, a continuidade, ou não, das inúmeras obras existentes, assim por diante”.
“A partir de segunda, vamos para o 2º Turno sem saber o que os líderes das pesquisas pensam sobre Manaus e a atual gestão. O que acham de programas como o Cidade Inteligente ou as Startups, que consomem milhões e vão ser entregues inacabados. O que esses candidatos pensam da mobilidade urbana? Concordam com as reformas das paradas? Vão tentar criar soluções inovadoras? Com que dinheiro, pois não falam do orçamento?!”, escreveu o sociólogo.
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