Uma mudança de rumo na política estadual pode estar em curso. O governador Omar Aziz (PSD), que parecia certo na disputa do Senado, em 2014, sinalizou hoje, no discurso em que deu posse a três novos integrantes do secretariado, que pode ficar até o fim do mandato. “Vamos honrar, até o dia 31 de dezembro de 2014, com tudo o que nos comprometemos, sem de forma nenhuma comprometer o Estado”, disse ele, quando falava da situação financeira do Amazonas. Isso significa que, no Governo, ele se torna o principal eleitor de sua sucessão.

Omar, ao centro, entre o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (Mdic), Alessandro Teixeira, e a primeira dama, Nejmi Aziz, ouviu os discursos e depois fez um balanço geral de sua gestão. Foto: Alex Pazzuelo/ Divulgação/ Agecom
O secretário estadual de Fazenda que sai, Isper Abrahim, recebeu claros sinais de afeto do governador. O que entra, Afonso Lobo, acabou ensejando um dos momentos mais duros da fala de Omar em relação a seu antecessor e aliado, o senador Eduardo Braga, uma ausência sentida na cerimônia. Lobo falou dos números do Estado, para enfatizar a eficiência de Isper. O governador pegou pelo lado de diversas armadilhas que acabam comprometendo a capacidade de investimento do Estado.
“É preciso analisar os números apresentados pelo Afonso. Quando cheguei ao Governo, o valor que pagávamos das nossas dívidas era de R$ 200 milhões e hoje é de R$ 700 milhões, entre o principal e juros”, afirmou. As dívidas foram contraídas em projetos como o Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus (Prosamim) e a ponte Rio Negro, que Eduardo Braga começou, todos por empréstimos do BNDES e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (Bird), e ficaram para seu sucessor pagar. “Não me queixo, porque não tenho que me queixar, mas a realidade é essa”, acrescentou o governador.
Omar revelou também, no discurso, que o Estado constrói hospitais e escolas, mas o preço da manutenção é o mais caro. “O hospital 28 de Agosto, por exemplo, custou R$ 70 milhões, mas a gente paga, para manter aquele serviço, R$ 80 milhões”, exemplificou. O novo 28 de Agosto foi construído na gestão de Braga.
George Tasso disse que, ao assumir a Secretaria Estadual de Governo (Segov), não sabia o quanto era difícil administrar a máquina do Estado. E acrescentou que o novo desafio recebido, na Unidade Gestora da Cidade Universitária, será igualmente difícil. Rebecca Garcia afirmou que vai trabalhar para “afinar o diálogo” entre os secretários e melhorar a transversalidade do Governo.
Outro sinal político emitido por Omar foi quando disse à deputada que é uma “ordem” do governador que ela trabalhe com os prefeitos municipais e leve para o interior programas como o “Viver Melhor”, que constrói casas para deficientes físicos, e o “Oportunidade & Renda”. Ela também falou do interior, como “grande celeiro da biodiversidade” e que precisa ser melhor explorado pelos amazonenses.
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