A posse da deputada federal Rebecca Garcia (PP-AM) na Secretaria de Estado de Governo (Segov) do Amazonas está confirmada para amanhã, segunda (10/12), às 16h, em ato que também empossará Afonso Lobo na Secretaria Estadual de Fazenda (Sefaz). A parlamentar, em entrevista exclusiva, fala aqui de como pretende trabalhar e, sobretudo, de política. Ela analise a administração Omar Aziz, fala da eleição para a Prefeitura, sobre a relação com o prefeito eleito de Manaus, Arthur Virgílio Neto, candidatura ao Governo do Estado e a possível reação do senador Eduardo Braga. Eis a íntegra da entrevista:
www.blogdomarcossantos.com.br – Sua posse na Secretaria Estadual de Governo é um sinal claro para a sociedade e os políticos de que a senhora é candidata à sucessão do governador Omar Aziz?
Rebecca Garcia – Acho uma enorme pretensão alguém prever o futuro com tanta antecedência. É até típico dos arrogantes. Devo lembrar que, conforme a mitologia grega, os Ciclopes pediram para ver o futuro, mas lhes foi concedido ver apenas o momento da própria morte e assim eles passaram o resto da vida tristes. Acredito mais em viver o momento e aproveitar a oportunidade oferecida pelo governador Omar Aziz para ajudar o povo do Amazonas.
Blog – Quer dizer então que sua posse não significa uma declaração de guerra ao ex-governador e atual senador Eduardo Braga, tido como candidato à sucessão de Omar, no grupo político ao qual a senhora pertence?
Rebecca – Não. Estamos em tempo de paz (risos)… Estou declarando guerra a qualquer entrave que separe o governador Omar de suas metas. Quem não quer ver a Cidade Universitária pronta? Ou a AM-070 (rodovia Manoel Urbano, Iranduba-Manacapuru) duplicada? Ou florescer ainda mais esse belo trabalho social da primeira-dama do nosso Estado, Nejmi Aziz, junto às entidades filantrópicas e os portadores de necessidades especiais? Estou indo para o Governo por acreditar em metas como essa. Por acreditar em projetos sólidos. Ajudar o Amazonas não é uma questão de ego. É questão de patriotismo, civilidade, compromisso, amor à nossa terra.
Blog – Mas a Cidade Universitária, por exemplo, terá um gestor próprio, o advogado George Tasso, que a senhora substitui na Segov…
Rebecca – Uma de minhas missões é apoiar o Tasso. Sei o quanto foi difícil para o governador liberá-lo da Segov. Só fez isso justamente porque considera a Cidade Universitária uma prioridade. Permita-me abrir um parênteses: o Amazonas precisa entender o espírito desse projeto. O Omar quer a UEA num só lugar para intensificar o intercâmbio entre estudantes e professores, permitindo que todos tenham acesso a facilidades e inovações. A ideia dele é que universidades consagradas, como Harvard, nos Estados Unidos, ou Cambridge, na Inglaterra, entre outras, tenham professores convidados e até um núcleo residente em nosso Campus. Na questão tecnológica, o objetivo é criar um ambiente propício ao desenvolvimento de softwares e permitir o compartilhamento de um acesso à Internet de Primeiro Mundo. Tudo isso em ambiente auto-sustentável, com alguém construindo e explorando shopping center, prédios de apartamentos etc., ajudando a obter recursos que financiem iniciativas acadêmicas de alto nível e custo. É um projeto grande, mas ou o Amazonas pensa grande ou vai continuar marcando passo.
Blog – Como desenvolver o Amazonas se os ambientalistas amarram qualquer iniciativa que toque na Floresta Amazônica?
Rebecca – Tive a oportunidade, nesses seis anos de Câmara Federal, de conviver com alguns dos mais importantes ambientalistas do País. Também sou ambientalista. Meu projeto de Redd +, em fase final de análise nas comissões técnicas da Câmara Federal, em caráter terminativo, isto é, sem precisar ir a plenário, prevê remuneração pela floresta em pé, buscando o favorecimento direto de quem vive nesse meio, como o caboclo, e foi amplamente negociado no meio. Levei dois anos trabalhando nisso. Conheço, portanto, o que pensam esses ambientalistas. Escrevi, há alguns anos, um artigo (no jornal Diário do Amazonas) defendendo que, se os países desenvolvidos não querem permitir o asfaltamento da BR-319 (Manaus-Porto Velho), então que nos deem um trem-bala Manaus-Porto Velho, construído com recursos a fundo perdido. Isso foi bem recebido entre os ambientalistas. Acho que, mais tarde, com essa ideia amadurecida, podemos progredir mais nessa direção.
Blog – A senhora diz que, como secretária da Segov, vai lutar pela construção do trem-bala Manaus-Porto Velho?
Rebecca – (Risos) Não. Seria uma loucura. Essa é uma ideia factível, que nós precisamos ter sempre em mente, mas que deve ser cultivada pacientemente e vai frutificar aos poucos, ao longo dos anos. É um processo bem mais longo que a administração do governador Omar Aziz e talvez até que os quatro primeiros anos da administração de seu sucessor. Devemos estar atentos para aproveitar a chance de, no calor do debate sobre o asfaltamento da rodovia, deixar bem claro que abrimos mão dela apenas se países como Japão, Alemanha e Estados Unidos nos derem o trem-bala. Não conheço forma mais direta e clara de compensação ambiental. Filio-me a um grupo político que tenciona lutar e lutar muito por isso.
Blog – Qual sua avaliação do Governo Omar Aziz, até aqui?
Rebecca – Uma surpresa, mas apenas para quem não conhecia o Omar. Imaginaram um sujeito arrogante e eis que temos um governador humano, que não deixa prefeito esperando horas para depois desmarcar a audiência e fazê-lo voltar de mãos vazias para sua cidade. O governador chega adiantado aos compromissos e espera pelos convidados, no lugar de deixá-los esperando. Todos diziam que ele não ia pagar a quase totalidade da ponte Rio Negro e ele pagou em dia esse e outros compromissos. O Ronda no Bairro, por exemplo, é a maior resposta que o Amazonas já viu aos problemas da segurança pública. Ressalto também o trabalho da primeira-dama Nejmi Aziz, cuja popularidade reflete a dedicação que vem emprestando à área social do Governo. Tudo isso constitui um conjunto da obra bem favorável ao Governo Omar Aziz.
Blog – A senhora acha que o Ronda no Bairro é um sucesso?
Rebecca – Os números, na Zona Norte, onde se instalou pioneiramente, são amplamente favoráveis, mas, se tivesse conseguido transformar a segurança pública em Manaus numa segurança londrina, praticamente da noite para o dia, seria um milagre. Não há receita de bolo nesse setor, onde as autoridades lidam com bandidos perigosos, criminosos que não precisam de licitação para lançar mão de meios cada vez mais sofisticados e estão sempre um passo à frente da polícia. Há muito o que fazer. O Ronda no Bairro é a linha de frente do combate ao crime. Ainda precisamos melhorar as condições da segunda e da terceira linhas, onde estão os investigadores, as delegacias especializadas e a investigação científica. Nada disso, porém, será feito se não tivermos a cooperação da população. Ouvi, na rádio CBN, o tenente-coronel Amadeu Soares, coordenador do Ronda no Bairro, dizer que uma simples dona de casa entregou na mão dele um croqui, um mapa, com as localizações de bocas de fumo da Zona Norte, o que permitiu o desmantelamento desses locais de crime. Tenho certeza que gestos como esse dão enorme ânimo ao pessoal da segurança. O caminho é por aí.
Blog – A senhora parece ter estudado bem a administração Omar Aziz, o que mostra que o convite para ocupar esse cargo vinha sendo maturado…
Rebecca – … Nada disso. Eu conheço porque, como cidadã e deputada federal, tenho a obrigação de conhecer. Você também sabe muito bem dessas coisas. A população vê tudo o que estou falando. O que mostro é que o conjunto da obra é amplamente favorável à administração Omar. Basta ver os índices recordes de popularidade que ele vem obtendo.
Blog – O que a senhora fará de diferente na Segov?
Rebecca – A primeira coisa é não fazer promessa. Estou no cargo para auxiliar o governador Omar Aziz e tocar seus projetos. Não vou fazer mais que contribuir para que a equipe trabalhe em conjunto pelo bem do Amazonas.
Blog – É parte de sua função puxar a orelha de secretário?
Rebecca – O secretariado é maduro. Ninguém precisa de babá.
Blog – Mas tem alguma coisa errada quando, por exemplo, a Cidade Universitária, da qual a senhora fala tão bem, não tem nem meia estaca fincada e a duplicação da AM-070, mais que necessária, ainda não terraplanou meio palmo de terra.
Rebecca – Problemas existem. É inegável. Nós vamos lutar para superá-los. Até porque essa é nossa obrigação como amazonense.
Blog – Por que a senhora renunciou à candidatura a prefeita de Manaus, na véspera da convenção de seu grupo político?
Rebecca – Por que a senadora Vanessa, que vinha de uma vitória sobre o Arthur Neto, perdeu a eleição? Responda a essa pergunta e você terá minha resposta.
Blog – Não há o risco de que os mesmos pressupostos daquela ocasião venham a ser levantados no futuro, caso a senhora pleiteie outro cargo no Executivo?
Rebecca – Não. Isso ficou no passado. Qualquer golpe baixo agora vai encontrar a devida resposta.
Blog – Qual é sua opinião sobre o prefeito eleito Arthur Virgílio Neto? Se ele precisar da ajuda do Governo Omar Aziz e isso depender de uma ação sua, a senhora está disposta a ajudá-lo?
Rebecca – Claro. Está aí outro gesto do governador que ainda não foi devidamente dimensionado: uma semana depois de uma campanha dura, quando enfrentou Arthur Neto, apoiando a candidatura de Vanessa, e foi derrotado por ele, Omar abriu as portas da sede do Governo do Amazonas e o recebeu, garantindo apoio e até parceria. Isso é respeito por Manaus! Como é que um governador pode virar as costas à administração da capital? Você já viu o que acontece com as ruas da cidade, após poucos meses de abandono. Os buracos florescem, a sinalização some, o trânsito fica ainda mais lento… Não se trata de apoiar o Arthur ou deixar de apoiá-lo. É a cidade onde moramos que está em jogo.
Blog – Dizem que, nos bastidores, a senhora apoiou Arthur Neto…
Rebecca – Ouvi muito isso. Seria muito fácil dizer que sim agora e surfar na popularidade do prefeito recém-eleito com ampla margem de votos. Mas isso não é verdade. Não esqueça que eu era vice-líder da Presidenta Dilma no Congresso Nacional. Não subi no palanque da senadora Vanessa porque isso seria concordar com a manobra que me tirou a candidatura a prefeita. Quanto a apoiar seu adversário, aí é diferente.
Blog – Qual a senhora acha que será a atitude da presidente Dilma Rousseff em relação ao prefeito tucano, que, quando senador, teve uma atuação oposicionista tão dura?
Rebecca – Tive a honra de ser, até quinta-feira (06/12), vice-líder da Presidenta Dilma na Câmara Federal. Nunca vi um gesto em que lhe faltasse espírito público. Tenho certeza de que ela vai continuar mantendo os olhos no Estado que lhe deu a maior votação proporcional de sua eleição. Fiz questão de enviar, à Presidenta e à ministra (das Relações Institucionais) Ideli Salvatti, cartas de agradecimento por minha escolha para o cargo e de justificativa quanto ao trabalho para o qual fui chamada pelo governador Omar Aziz. Falei também com os principais líderes do Congresso Nacional e visitei vários ministros na Explanada. Deixo em Brasília uma base sólida de trabalho e de bons amigos.
Blog – Como a senhora acha que será a reação do senador Eduardo Braga à sua nomeação?
Rebecca – Não sei. Tirar os pés da Câmara Federal e colocá-los na Segov me ocupou inteiramente nos últimos dias.
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