
Rosemary Costa Pinto disse que “há um equívoco nos dados publicados pelo Consórcio de Imprensa”. Foto: Secom-Arquivo
A imprensa nacional tem colocado o mapa do Amazonas em vermelho nas duas últimas semanas, indicando aumento de óbitos por Covid-19 no estado. Ao Portal do Marcos Santos, a diretora-presidente da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS-AM), Rosemary Costa Pinto, disse que “há um equívoco nos dados publicados pelo Consórcio de Imprensa”. Ela voltou a explicar que o número total de mortes por Covid-19 aumentou por causa da reclassificação de óbitos ocorridos no ápice da pandemia. Isso dá uma “falsa sensação” de que há aumento diário de mortes.
De acordo com Rosemary, os números de óbitos e internações não estão aumentando no Amazonas. “Muito pelo contrário. Eles continuam numa curva descendente”, reforçou.
Segundo ela, quando são comparados os últimos 15 dias, é possível observar que houve redução de quase 30% no número de óbitos. Recentemente, a FVS passou a inserir os gráficos detalhados dos últimos 15 dias, dos principais indicadores, como: hospitalizações, casos confirmados, óbitos e diagnósticos por exame RT-PCR ou teste rápido.
Rosemary disse que a divulgação busca reforçar a transparência dos dados epidemiológicos monitorados pela fundação, nas edições dos boletim diários enviados à imprensa.
“Nós mudamos a forma de demonstrar os dados para esclarecer que há um equívoco nos dados publicados pelo Consórcio de Imprensa. O Consórcio de Imprensa está levando em conta todos os óbitos, novos e antigos, publicados diariamente pela FVS. E isso leva à falsa sensação de que está havendo um aumento nesses óbitos”, esclareceu Rosemary.
A diretora-presidente lembrou que o Ministério da Saúde mudou os critérios de classificação de casos e óbitos por Covid-19. “Antes, esses óbitos eram classificados apenas por testes de laboratório – ou PCR ou teste rápido. E tinha que está positivo para ser um caso confirmado de Covid-19”, disse a especialista.
Anteriormente, o ministério também considerava como caso confirmado a pessoa que apresentava todos os sintomas e tinha contato comprovado com alguém que teve teste positivo para Covid-19.
Os critérios mudaram a partir do dia 6 deste mês. “Foram incluídos, também, diagnóstico por imagem, no caso, imagens de tomografia, que são muito características do Covid; e também o critério clínico, onde o médico, ao atender o paciente e perceber que o paciente apresenta todos os sintomas de Covid, pode fechar, encerrar aquele caso como um caso clínico de Covid”, explicou a diretora.
Também entraram nos novos critérios as pessoas que não têm sintomas, mas que têm teste positivo por laboratório. “Ou por teste rápido ou por PCR, dizendo que ela é assintomática. É um caso de Covid, porque ela está transmitindo”, explicou.
Quando o Ministério da Saúde anunciou os novos critérios, o Amazonas tinha 600 óbitos que ocorreram no auge da pandemia, principalmente nos meses de abril, maio e junho. Segundo Rosemary, essas mortes estavam “pendentes de encerramento”, ou seja, com diagnósticos inconclusivos. “Porque eles eram uma Síndrome Respiratória Aguda não especificada, levando em conta que não atendiam os critérios do Ministério da Saúde”, disse.
A partir da reclassificação, a Secretaria Municipal de Saúde de Manaus (Semsa) criou um comitê que faz a revisão dos prontuários e a investigação domiciliar. “Com isso, novos óbitos foram confirmados”, destacou a diretora-presidente da FVS.
Conforme Rosemary, até ontem (18/9), a Semsa tinha reclassificado 148 óbitos. “À medida em que ela vai encerrando os casos, ela vai inserindo no sistema de informação”, informou. “Então, esses novos aparecem diariamente, mas, na realidade, eles não são óbitos de agora. São óbitos de abril, maio e junho que estão sendo encerrados agora. Nós não temos numa segunda onda de Covid em Manaus nem no Amazonas. E nós não estamos com nenhum caso nem óbito aumentando”, completou.
A diretora-presidente alertou, no entanto, que a pandemia não passou. “Nós continuamos tendo a circulação do vírus. As pessoas começam a relaxar as medidas de prevenção e isso é muito preocupante, porque nós podemos ter um aumento do número de casos pelo abandono do uso das máscaras, pelo fato que as pessoas estão se aglomerando muito. As medidas de higiene, lavagem de mãos, uso de álcool gel estão sendo desprezadas. Então, a nossa recomendação muito forte é de que, apesar da flexibilização, as medidas de prevenção e controle, elas precisam continuar para que nós possamos superar mais essa fase”, enfatizou.