06/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Falta de Heineken em Manaus tem briga de multinacionais e problemas da pandemia. Veja posição oficial da empresa

Publicado em 31 de julho, 2020

Falta de Heineken em Manaus

Falta de Heineken em Manaus, em pleno verão, deixou os consumidores na mão

O rompimento da Coca-Cola com a Heineken e mais a falta de matéria-prima provocada pela pandemia de Covid-19 provocaram o desabastecimento da cerveja em Manaus. O representante das duas multinacionais na Região Norte, o amazonense Grupo Simões, fabricante e distribuidor da Coca-Cola, está de mãos amarradas. “Colabora também o sucesso da Heineken. Ninguém, nem na melhor das expectativas, imaginou que se tornaria a cerveja preferida dos brasileiros”, disse o superintendente do Grupo Simões, Aristarco Martins Neto.

“O processo de fabrico da Heineken é complexo. Não é o mesmo das cervejas pilsen. A cadeia de suprimentos toda sofreu impactos, em todas as cervejarias premium. São produtos que requerem processo mais longo e elaborado de produção”, disse o superintendente.

A assessoria da empresa, contatada pelo portal, enviou nota lacônica, falando em ” problema pontual” que já teria sido resolvido. Os pontos de venda, porém, ainda não apresentam o produto. O desabastecimento tem ocorrido diversas vezes, na capital amazonense.

 

Disputa

A disputa jurídica deve perdurar até junho de 2021, conforme acordo judicial entre Coca-Cola e Heineken, quando o rompimento será completo. O contrato é que os representantes da empresa de refrigerantes também distribuam a cerveja no País. Aristarco é mais otimista e vai na linha da nota da empresa: “Creio que, em mais alguns dias, o Brasil terá regularizado o abastecimento”, avalia.

A saída macro, conforme o noticiário em torno do imbróglio, pode ser um acordo, antes da data do rompimento, hipótese considerada remota. Outra possibilidade é que a Coca-Cola adquira um rótulo internacional de cerveja para representar no Brasil. E, finalmente, que o rompimento seja completo, mas a Heineken escolha alguns representantes da Coca para continuarem com a marca.

A Heineken adquiriu a Kaiser, que o Grupo Simões também distribuía, e a Schin, hoje Brasil Kirin. Nenhuma das duas tem outro representante no Norte. Daí que existe a possibilidade de, encerrado o período de contrato Coca-Cola-Heineken, o grupo holandês decida contratar a distribuição do próprio Grupo Simões.

 

Vendas avulsas

Os supermercados que recebem Heineken, nos últimos meses, estão fazendo compras diretas da fábrica. “Quando isso ocorre, o representante (Grupo Siomões) recebe a comissão diretamente da fábrica. E o supermercado aparece com alguma exclusividade do produto”, disse um especialista no mercado local.

Nos últimos dias, com o rigor do verão, o consumo de cervejas no Amazonas aumentou. E a falta de Heineken passou a se tornar mais visível. “O Sul e o Sudeste estão vivendo o período de inverno, quando o consumo de cerveja cai. Daí que, mesmo com a briga jurídica, a Heineken pode direcionar uma parte maior do estoque para o Norte, que está no verão. Isso reabasteceria o mercado”, afirma a fonte.

Uma das vantagens da marca holandesa é a total ausência de açúcar, o que ajuda os cervejeiros a prevenir – ou os que já possuem – doenças como o diabetes. Fundada em 1863, por Wandscheer Heineken, em Amsterdã, a Heineken tem cerca de 140 cervejarias, em mais de 70 países. Acumula cerca de 85 mil empregados.

A empresa fechou a fábrica em Manaus, na antiga Cervejaria Miranda Corrêa, no bairro de Aparecida, adquirida na compra da Kaiser. O abastecimento principal do Norte é feito pela fábrica da cidade de Pacatuba (CE), a 30 quilômetros da capital, Fortaleza.

 

Veja a posição oficial da Heineken Brasil, em resposta ao portal

“O Grupo HEINEKEN no Brasil informa que tem conhecimento de um impacto pontual no abastecimento do produto Cerveja Heineken® em Manaus. A situação já foi normalizada e a Companhia segue à disposição para atender consumidores e parceiros, por meio dos seus canais de atendimento. Grupo HEINEKEN no Brasil.

Obrigada e conte conosco,

Abraços,

Jessica Marins

Account Executive”

 

PS: Após a publicação desta matéria, a Heineken enviou nota explicativa sobre a situação jurídica da distribuição do produto no Brasil. Clique neste link para ver.

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