26/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Crianças e adolescentes vítimas de crimes hediondos têm atendimento psicossocial no AM

Publicado em 22 de julho, 2020

Crianças e adolescentes vítimas de crimes hediondos têm atendimento psicossocial no Amazonas. Foto: Carlos Soares/SSP-AM

Há dois meses, a Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) oferece atendimento psicossocial a crianças e adolescentes vítimas de crimes hediondos cujos autores são menores de idade. O serviço conta com psicólogo e assistente social e oferece uma escuta especializada, fornecendo uma espécie de acolhimento às vítimas, conforme preconiza o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

O atendimento psicossocial é oferecido pela Delegacia Especializada em Apuração de Atos Infracionais (Deaai). Além dos crimes de estupro, a equipe atende a casos de desobediência e agressão que acontecem dentro do convívio familiar. De acordo com a Deaai, em 2019, foram registrados 125 casos de estupro praticados por menores de 18 anos. Nos primeiros cinco meses de 2020, foram registrados 31 casos.

Segundo a delegada Elizabeth de Paula, titular da Deaai, Elizabeth de Paula, a implantação do atendimento psicossocial era um sonho antigo, uma vez que a delegacia recebe muitos casos de crimes hediondos, o que requer escuta especializada para entender como se deu a dinâmica do crime e a motivação do caso.

“É um trabalho demorado, porque nós observamos que é necessário um tempo maior para ouvir a criança, e então precisamos fazer algumas diligências para confirmar o que está acontecendo ali, para depois tentar entender o que está acontecendo dentro daquele lar, se realmente houve um estupro ou não. O objetivo principal do trabalho dentro da delegacia é esse. Durante o atendimento do ato infracional, eu preciso de um suporte às vezes ligado ao psicólogo, para que ele busque ouvir aquela criança, que está com aquele sofrimento”, relatou.

Um dos casos atendidos pelo psicossocial ocorreu em um abrigo venezuelano, onde um menor de idade praticou violência sexual contra crianças. Além de ouvir as vítimas e o autor, a equipe da delegacia foi ao local para verificar onde ocorriam os crimes e dimensionar como tudo aconteceu. Além das provas testemunhais, o trabalho psicossocial reuniu provas técnicas para embasar o inquérito policial.

O atendimento psicossocial na Deaai funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 17h. “Nós funcionamos 24 horas por dia, então caso cheguem casos de madrugada, o delegado plantonista faz um filtro e encaminha para o atendimento psicossocial no dia seguinte”, afirmou Elizabeth de Paula.

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