15/JUL 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Bumbás no TRT11 podem evitar leilões de Cidade Garantido, Zeca Xibelão e Escolinha de Artes do Caprichoso

Publicado em 09 de julho, 2020

Bumbás no TRT11

Bumbás no TRT11 (foto) para tentar evitar os leilões dos bens acumulados em 100 anos de história

Os dirigentes dos bumbás Caprichoso e Garantido foram nesta quinta (09/07) ao Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (TRT11). A caravana busca acordo para evitar a perda dos principais bens de ambos, a Cidade Garantido, o curral Zeca Xibelão e a Escolinha de Artes do Caprichoso. Eles estavam acompanhados do prefeito Bi Garcia e do secretário estadual de Cultura, Marcos Apolo. Um leilão desses bens está marcado para o dia 24/07, às 9h30, virtualmente, no link www.amazonasleiloes.com.br. Tudo por conta de dívidas trabalhistas de gestões anteriores.

Os bumbás proporão acordo de parcelamento. O Caprichoso deve cerca de R$ 4,5 milhões e o Garantido R$ 2,5 milhões. “Metade disso é multa e um acordo justo reduz o débito ao meio”, disse um dos participantes. O acerto final depende agora das propostas de acordo e do julgamento nas instâncias do tribunal.

O grupo se avistou com o presidente do TRT11, Lairto José Veloso, e o desembargador David Alves de Mello Junior. Os juízes Djalma Monteiro de Almeida, coordenador do Núcleo de Apoio à Execução e Cooperação Judiciária (NAE-CJ), e Izan Alves Miranda Filho, titular da Vara do Trabalho em Parintins, também estavam presentes.

Os presidentes do Garantido, Fábio Cardoso, e do Caprichoso, Jender Lobato, ambos advogados, saíram da reunião muito satisfeitos. Eles estavam acompanhados do diretor jurídico Raul Góes Neto (Garantido) e Victor Góes e Leonardo Fernandes, diretor jurídico e advogado (Caprichoso).

 

Acordos estranhos

As dívidas dos bumbás têm origem em contratos estranhos. No Caprichoso, no fim do mandato, a presidente Márcia Baranda reconheceu dívidas e criou cláusulas contratuais com multas estratosféricas. Um artista que ganhava R$ 10 mil por ano recebeu, na Justiça do Trabalho, R$ 400 mil de indenização. Um diretor, conhecido como Osmarzinho, sem nenhum vínculo trabalhista, conseguiu receber R$ 56 mil.

O endividamento aumentou ainda mais quando o governador cassado José Melo declarou que não ajudaria o Festival de Parintins. Os bumbás fizeram a festa, no peito e na raça, mas deixaram de cumprir acordos trabalhistas.

O leilão do dia 24/07, que parece cruel, diante da pandemia e o adiamento do Festival 2020, deriva de acordos não cumpridos de 2008. Mas os bumbás ficaram, praticamente, sem renda alguma.

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