08/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Derrota por 7 a 1 do Brasil para Alemanha completa seis anos e desportistas do AM comentam

Publicado em 08 de julho, 2020

Derrota

Derrota do Brasil para a Alemanha está marcada na história do futebol. Na foto, o meia Ozil olha penalizado para David Luiz, num retrato do jogo

Era a semifinal da Copa do Mundo do Brasil, no dia 8 de julho de 2014, seis anos atrás. A Seleção Brasileira havia perdido Neymar, contundido, e o capitão do time, o zagueiro Thiago Silva, suspenso. Os alemães abriram o placar aos 11′, em seis minutos marcaram quatro gols e terminaram o primeiro tempo com 5 a 0 e jogo com 7 a 1. Foi o placar mais surpreendente da história do futebol e a partida ficou conhecida como “Mineiraço”, numa comparação com o “Maracanaço” da final da Copa de 1950.

Nesta terça (08/07), aniversário de seis anos da derrota histórica, integrantes do meio futebolístico do Amazonas comentam o resultado. Delmo, artilheiro do Norte com o São Raimundo, Dudu Monteiro de Paula, jornalista esportivo, Welington Fajardo, técnico do Manaus FC, Mário Cortez, ex-presidente do Nacional, e o senador Plínio Valério opinam. Veja, a seguir:

 

Delmo: “Foi preciso levar uma peia para aprender”

“O resultado abalou todo o mundo, principalmente para quem, como eu, estava assistindo. O futebol é jogado e se você não entra preparado pode ser surpreendido. Se você observar desde o primeiro jogo, o Brasil queria jogar e esquecia o esquema tático, a marcação. Aí os caras ficaram sozinhos e ficou muito mais fácil de jogar. Lembro dos gols: na maioria, o jogador da Alemanha estava em condições e sem marcação

“O resultado acabou sendo bom, como lição, para a Seleção Brasileira. O jogo do Brasil, hoje, é totalmente diferente. A marcação dobrou. Foi preciso pegar uma peia para aprender. O futebol arte nosso é muito bonito, mas é preciso jogar quando a bola não está conosco. Aquela Seleção, apesar de todos serem craques, não jogava para o time e com a camisa. E se o time não é um grupo unido, infelizmente, sofre essas decepções”, diz Delmo, artilheiro do São Raimundo campeão da Série C de 1999.

 

Eduardo Monteiro de Paula: “Todo mundo avisou o Felipão”

“Foi uma grande decepcção porque nós tínhamos potencial para fazer uma boa partida e até obter uma vitória simples. Ficou marcada a teimosia e a prepotência do Felipão. O mundo inteiro falou que precisava mudar o jeito de jogar contra a Alemanha e ele não mudou. Como é que um técnico permite fazer quatro gols, um atrás do outro? Ele ficou chocado e sem saber o que fazer. A tristeza que me bate é ter um time melhor e perder para um igual ou pior, por incompetência do técnico. Todo analista falou: ‘Olha, não joga assim contra a Alemanha…’ E ele insistiu. Paciência, a vida é assim”, disse Eduardo Monteiro de Paula, o Dudu, experiente repórter esportivo.

 

Welington Fajardo: “Foi a troca de treinador e a pressão”

“O Brasil começou a Copa com um erro, na troca do treinador. O Mano Menezes vinha fazendo um trabalho há algum tempo e a troca se deu em cima da Copa do Mundo. Trabalho de curto prazo não é consistente. Se você pegar o Brasil, desde 1974 e 1978, verá que tem perdido classificações tomando gol de bola parada. O jogo estava equilibrado, no início, mas o primeiro gol da Alemanha, de bola parada, desestabilizou a equipe.

“É muito parecido ao que aconteceu na Copa de 1950, que estudei muito: a pressão que os jogadores sofreram. Aumentou muito a responsabilidade. Foi assim com essa Seleção, que perdeu de 7 a 1 e sofreu desestabilização emocional. O que estava programado para fazer dentro do jogo não aconteceu. Faltou organização. O David Luiz (zagueiro) saía de qualquer jeito. No jogo anterior, contra o Chile, nosso capitão, Thiago Silva, havia chorado. A Seleção já vinha mostrando desequilíbrio emocional e foi isso que nos fez tomar de 7 a 1.

“Consequências? O Brasil sempre acreditou no potencial individual. A Seleção de 1950 se eximiu da derrota por 2 a 1 para o Uruguai. Vi um filme que mostra como tudo foi desorganizado, naquela ocasião, e os jogadores foram tratados como ‘traidores da Pátria’. O 7 a 1 mostrou que é preciso estudar a equipe adversária e fazer análise de desempenho. A Seleção de 1950 pelo menos foi vice-campeão. Foi um alívio histórico para eles e seus familiares”, diz o treinador Welington Fajardo, técnico do Manaus FC, representante do Amazonas na Série C.

 

Mário Cortez: “Faltou amor à camisa”

“Como todos os brasileiros ficamos de olho na TV, esperando uma grande exibição de nossa Seleção e uma vitória esplendorosa. No entanto, a Alemanha começou o jogo de forma bastante ofensiva e os gols foram surgindo de maneira natural. Parecia que estávamos com 100% da torcida contra nós. Confesso que deixei de assistir o segundo tempo, por pressentir que a decepção seria muito grande. Acho que enquanto se falar em $ e zero amor à camisa, tão cedo nosso País não chegará a lugar nenhum. Que saudades das Seleções de 58, 62 e 70. Os jogadores vestiam  a camisa verde e amarela por amor à PÁTRIA”, analisa Mário Cortez, empresário, ex-presidente do Nacional.

 

Plínio Valério: “Até hoje ainda fica zoando, tinindo, na cuca da gente”

Foi o sentimento de perplexidade. Eu fiquei calado. Minha mulher entrou e perguntou: “O que está acontecendo?”. Eu disse: “Não sei”. E enquanto a gente falava saiu outro gol. Ficamos perplexos, até porque, nos primeiros momentos, o Brasil estava jogando bem. A gente fica desencantado, triste e dá até vontade de chorar. Mas a minha reação, no dia seguinte, foi dizer que ‘isso é futebol, apenas futebol e a gente não podia se sentir derrotado porque o Brasil é muito maior que aquilo’. Mas até hoje ainda fica zoando, tinindo, na cuca da gente”, disse Plínio Valério, senador (PSDB-AM).

Veja mais notícias em Geral

RELACIONADAS

Portal do Marcos Santos
Privacy Overview

This website uses cookies so that we can provide you with the best user experience possible. Cookie information is stored in your browser and performs functions such as recognising you when you return to our website and helping our team to understand which sections of the website you find most interesting and useful.