
Derrota do Brasil para a Alemanha está marcada na história do futebol. Na foto, o meia Ozil olha penalizado para David Luiz, num retrato do jogo
Era a semifinal da Copa do Mundo do Brasil, no dia 8 de julho de 2014, seis anos atrás. A Seleção Brasileira havia perdido Neymar, contundido, e o capitão do time, o zagueiro Thiago Silva, suspenso. Os alemães abriram o placar aos 11′, em seis minutos marcaram quatro gols e terminaram o primeiro tempo com 5 a 0 e jogo com 7 a 1. Foi o placar mais surpreendente da história do futebol e a partida ficou conhecida como “Mineiraço”, numa comparação com o “Maracanaço” da final da Copa de 1950.
Nesta terça (08/07), aniversário de seis anos da derrota histórica, integrantes do meio futebolístico do Amazonas comentam o resultado. Delmo, artilheiro do Norte com o São Raimundo, Dudu Monteiro de Paula, jornalista esportivo, Welington Fajardo, técnico do Manaus FC, Mário Cortez, ex-presidente do Nacional, e o senador Plínio Valério opinam. Veja, a seguir:
“O resultado abalou todo o mundo, principalmente para quem, como eu, estava assistindo. O futebol é jogado e se você não entra preparado pode ser surpreendido. Se você observar desde o primeiro jogo, o Brasil queria jogar e esquecia o esquema tático, a marcação. Aí os caras ficaram sozinhos e ficou muito mais fácil de jogar. Lembro dos gols: na maioria, o jogador da Alemanha estava em condições e sem marcação
“O resultado acabou sendo bom, como lição, para a Seleção Brasileira. O jogo do Brasil, hoje, é totalmente diferente. A marcação dobrou. Foi preciso pegar uma peia para aprender. O futebol arte nosso é muito bonito, mas é preciso jogar quando a bola não está conosco. Aquela Seleção, apesar de todos serem craques, não jogava para o time e com a camisa. E se o time não é um grupo unido, infelizmente, sofre essas decepções”, diz Delmo, artilheiro do São Raimundo campeão da Série C de 1999.
“Foi uma grande decepcção porque nós tínhamos potencial para fazer uma boa partida e até obter uma vitória simples. Ficou marcada a teimosia e a prepotência do Felipão. O mundo inteiro falou que precisava mudar o jeito de jogar contra a Alemanha e ele não mudou. Como é que um técnico permite fazer quatro gols, um atrás do outro? Ele ficou chocado e sem saber o que fazer. A tristeza que me bate é ter um time melhor e perder para um igual ou pior, por incompetência do técnico. Todo analista falou: ‘Olha, não joga assim contra a Alemanha…’ E ele insistiu. Paciência, a vida é assim”, disse Eduardo Monteiro de Paula, o Dudu, experiente repórter esportivo.
“O Brasil começou a Copa com um erro, na troca do treinador. O Mano Menezes vinha fazendo um trabalho há algum tempo e a troca se deu em cima da Copa do Mundo. Trabalho de curto prazo não é consistente. Se você pegar o Brasil, desde 1974 e 1978, verá que tem perdido classificações tomando gol de bola parada. O jogo estava equilibrado, no início, mas o primeiro gol da Alemanha, de bola parada, desestabilizou a equipe.
“É muito parecido ao que aconteceu na Copa de 1950, que estudei muito: a pressão que os jogadores sofreram. Aumentou muito a responsabilidade. Foi assim com essa Seleção, que perdeu de 7 a 1 e sofreu desestabilização emocional. O que estava programado para fazer dentro do jogo não aconteceu. Faltou organização. O David Luiz (zagueiro) saía de qualquer jeito. No jogo anterior, contra o Chile, nosso capitão, Thiago Silva, havia chorado. A Seleção já vinha mostrando desequilíbrio emocional e foi isso que nos fez tomar de 7 a 1.
“Consequências? O Brasil sempre acreditou no potencial individual. A Seleção de 1950 se eximiu da derrota por 2 a 1 para o Uruguai. Vi um filme que mostra como tudo foi desorganizado, naquela ocasião, e os jogadores foram tratados como ‘traidores da Pátria’. O 7 a 1 mostrou que é preciso estudar a equipe adversária e fazer análise de desempenho. A Seleção de 1950 pelo menos foi vice-campeão. Foi um alívio histórico para eles e seus familiares”, diz o treinador Welington Fajardo, técnico do Manaus FC, representante do Amazonas na Série C.
“Como todos os brasileiros ficamos de olho na TV, esperando uma grande exibição de nossa Seleção e uma vitória esplendorosa. No entanto, a Alemanha começou o jogo de forma bastante ofensiva e os gols foram surgindo de maneira natural. Parecia que estávamos com 100% da torcida contra nós. Confesso que deixei de assistir o segundo tempo, por pressentir que a decepção seria muito grande. Acho que enquanto se falar em $ e zero amor à camisa, tão cedo nosso País não chegará a lugar nenhum. Que saudades das Seleções de 58, 62 e 70. Os jogadores vestiam a camisa verde e amarela por amor à PÁTRIA”, analisa Mário Cortez, empresário, ex-presidente do Nacional.
Foi o sentimento de perplexidade. Eu fiquei calado. Minha mulher entrou e perguntou: “O que está acontecendo?”. Eu disse: “Não sei”. E enquanto a gente falava saiu outro gol. Ficamos perplexos, até porque, nos primeiros momentos, o Brasil estava jogando bem. A gente fica desencantado, triste e dá até vontade de chorar. Mas a minha reação, no dia seguinte, foi dizer que ‘isso é futebol, apenas futebol e a gente não podia se sentir derrotado porque o Brasil é muito maior que aquilo’. Mas até hoje ainda fica zoando, tinindo, na cuca da gente”, disse Plínio Valério, senador (PSDB-AM).
Veja mais notícias em Geral