
Foto: Ingrid Anne/HCM
Mais uma pesquisa está indicando que Manaus será a primeira a vencer a pandemia do novo coronavírus no país. O projeto Atlas ODS Amazonas, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), que divulgou seu décimo boletim nesta quinta-feira (11/6), explica os motivos que levarão a capital a ser a primeira cidade brasileira a sair da crise epidemiológica. Em coletiva on-line, o coordenador do projeto, Henrique Pereira, disse rejeitar a hipótese da ‘imunidade de rebanho’ e citou teorias de ecologia evolutiva de doenças.
A partir dos dados divulgados nos boletins diários da Fundação de Vigilância em Saúde do estado do Amazonas (FVS/AM), o boletim do Atlas ODS compara as curvas de casos e de óbitos. A análise destaca que, na última terça-feira (9/6), quando Manaus chegou ao seu 90º dia de pandemia, a curva de óbitos já ultrapassava o ponto de inflexão e estava muito próxima da assíntota (valor máximo), com 94% dos casos previstos. Na mesma data, a curva de casos ainda se encontrava em uma fase anterior, com apenas 81% do número total de óbitos previstos.
Veja as imagens, abaixo:

Fonte: Atlas ODS Amazonas
Na avaliação dos pesquisadores, o fato de a redução da velocidade da curva de óbitos acontecer antes da curva de casos foi apontado como uma das evidências empíricas que reforçam a tese da ‘imunidade de rebanho’. Eles rejeitam essa hipótese.
“Essa afirmação é questionável por várias razões, sendo uma delas o fato de tal hipótese ter sido construída no contexto de campanhas de vacinação em massa e, portanto, não se presta a explicar processos de imunização natural da população”, diz o boletim. “Não tem vacina ainda para Covid-19. Então, não tem porquê se falar em ‘imunidade de rebanho'”, reforçou o professor Henrique Pereira, na live.
Ao rejeitar a hipótese da ‘imunidade de rebanho’, o pesquisador apresentou teorias de ecologia evolutiva de doenças. “Essa defasagem entre óbitos e novos casos pode estar relacionada a vários fatores e que estão associados às respostas da população hospedeira à interação com o novo parasita em termos de prevenção, resistência e tolerância”, afirma o boletim.
Para os pesquisadores, em Manaus, a variação do índice de isolamento social explica “parcialmente” a queda do número de óbitos. O Atlas ODS, que em parceria com a empresa Inloco também divulga diariamente o índice de isolamento em 45 cidades do Amazonas, afirma que a capital cumpriu 41% de isolamento ontem (10/6).
Com base na evolução dos números, o Atlas ODS faz projeções de crescimento dos casos e dos óbitos. Com os resultados das projeções dos modelos, os pesquisadores estimam que o número de casos continue aumentando mesmo quando a curva de óbitos já estiver praticamente estagnada. Isso poderá ocorrer por volta de 17 de junho (quarta-feira da próxima semana).
Na entrevista, o pesquisador lembrou que, no dia 11 de maio, o boletim do Atlas ODS indicou que o pico de velocidade dos casos em Manaus ocorreria no dia 31 de maio. “Nós chamávamos a atenção que a data necessária para se pensar na flexibilização das medidas de isolamento seria a data em que 97% dos casos previstos tivessem acontecido”, disse.
O então boletim indicava o dia 15 de junho como data ideal para pôr em prática o relaxamento do isolamento. Para o dia 15 (próxima segunda-feira), está prevista a efetivação do segundo ciclo de reabertura gradual da economia capital. Manaus começou a reabertura de suas atividades não essenciais duas semanas antes da data indicada pelos pesquisadores do Atlas.
O Atlas ODS utiliza o modelo logístico para fazer a estimativa das taxas de crescimento de casos e de óbitos por Covid-19. Segundo os pesquisadores, esse modelo tem se mostrado adequado, quando confrontado com a realidade do Amazonas.
“O modelo logístico, ou crescimento assintótico estável é um modelo de crescimento em que à medida que a população se aproxima do seu limite superior sua velocidade é retardada pelas informações de feedback dos limites no sistema”, explica o boletim.