06/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Nação sateré-mawé sem coronavírus, em Barreirinha, após bloqueio no rio Andirá

Publicado em 26 de maio, 2020

Nação sateré-mawé sem coronavírus

Nação sateré-mawé sem coronavírus, após bloqueio do rio Andirá pelo prefeito Glênio Seixas. Na foto, o prefeito leva na mão esquerda a luva do tradicional Ritual da Tucandeira

O bloqueio de um dos mais caudalosos rios amazonenses, o Andirá, está afastando a pandemia de Covid-19 dos índios sateré-mawé. Trata-se de população estimada em 13,3 mil indígenas, no grupo mais populoso da Nação, residindo em 80 aldeias. Não há, entre eles, nenhum caso de contaminação.

A Nação sateré-mawé é histórica produtora de guaraná, no Município de Maués. A maior parte da etnia indígena, porém, trabalhando mais com caça e pesca, mora historicamente no rio Andirá, em Barreirinha (AM). Ocupam a Terra Indígena Andirá-Marau.

O bloqueio fluvial foi implantado há 60 dias, pela Prefeitura de Barreirinha, a 331 quilômetros de Manaus. “A representatividade dessa população tradicional, junto ao nosso povo, exige cuidado especial, em momento tão delicado”, disse o prefeito do Município, o advogado Glênio Seixas.

O município, no território urbano, tem 195 contaminados pelo novo coronavírus, segundo boletim da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS), de 25/05. Também registrou três óbitos, entre a população total de 32.041 habitantes, segundo o IBGE. “Índios são mais sensíveis às doenças epidêmicas e o bloqueio será mantido”, enfatiza Glênio.

 

Bloqueio

A Secretaria Municipal de Saúde, Departamento de Assistência ao Índio (DAI), desde 20 de março, mantém equipe com vigilantes, na barreira fluvial. O grupo fica nas proximidades do Distrito de Ponta Alegre, na entrada da área indígena sateré-mawé. O único acesso às aldeias é aí, através do rio Andirá.

Condutores e passageiros recebem orientação sobre como é contraído o vírus. Todos são submetidos à aferição da temperatura, com termômetro de testa. Cerca de 80% das embarcações foram bloqueadas, por não haver justificativa para entrar ou deixar a região. Outros 20% seguiram viagem.

Estão sendo liberados viajantes em busca do recebimento de benefícios sociais, aquisição de alimentos, medicamentos ou em emergência médica. A partir do primeiro caso confirmado de Covid-19 em Barreirinha, a barreira sanitária vigia 100% do trânsito de embarcações no Andirá.

O DAI é coordenado pelo indígena Jecinaldo Sateré. “A grande preocupação da barreira são os municípios vizinhos, onde a doença está mais avançada. Cerca de 1 mil indígenas residem e circulam facilmente entre Parintins e Barreirinha. Temos apoio do Distrito Sanitário Especial Indígena de Parintins e da Funai (Fundação Nacional do Índio). O trabalho do prefeito Glenio Seixas é fundamental para manter a pandemia afastada”, comemora Jecinaldo.

 

Alimentação

Impedidos no acesso a serviços essenciais, na sede municipal de Barreirinha, as 2,8 mil famílias sateré-mawé recebem ajuda. Indígenas compram alimentos e outros itens quando vão à cidade receber valores de programas do Governo Federal. Há, por exemplo, 936 famílias atendidas pelo programa Bolsa Família.

Uma embarcação abastece os comerciantes dos principais polos. Ela é enviada a Barreirinha, para compra de gêneros alimentícios. Recebe tudo no porto, após desinfecção, antes de chegar às aldeias. “A vigilância sanitária faz todo o processo de higienização da mercadoria. Só depois ocorre o embarque. Tripulantes são impedidos de transitar na cidade, pois poderiam carregar o vírus. Na barreira sanitária fluvial, produtos e pessoal passam por nova vistoria e desinfecção. Só então entram no território sateré-mawé”, explica o líder indígena Herivelton Mawé.

A Prefeitura de Barreirinha entra com fatia de investimentos para manter a população mawé nas aldeias. Cerca de 5 mil cestas básicas, adquiridas pela administração municipal, devem ser direcionadas às famílias indígenas na pandemia. O educador indígena Nasson Menezes afirma que são “ações fundamentais para garantir a saúde da população indígena de Barreirinha”.

“Dentro da reserva indígena é feito trabalho, utilizando pedagogia e diálogo, em favor dos nossos ‘parentes’. O caminho agora é reforçar a vigilância sanitária, com liderança dos professores, agentes indígenas de saúde e demais. Tudo depende de que todos obedeçam ao isolamento social. Com energia positiva e proteção, nossos heróis serão exaltados. Estamos esperançosos pelos resultados. Autoridades e lideranças indígenas do rio Andirá estão evitando perdas de vidas para esse vírus terrível”, disse Nasson.

Nação sateré-mawé sem coronavírus

Resultado do bloqueio rígido no rio Andirá tem sido muito festejado pelas lideranças indígenas e o prefeito Glênio

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