17/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Fotógrafo registra antes e depois em cemitério após 37 dias de enterros na pandemia. Veja

Publicado em 23 de maio, 2020

Fotógrafo registrou antes e depois no Cemitério Parque Tarumã após 37 dias de enterros na pandemia. Foto: Edmar Barros/Cedida

O fotógrafo amazonense Edmar Barros registrou o antes e depois no Cemitério Nossa Senhora de Fátima, no complexo Parque Tarumã, zona Oeste de Manaus, após 37 dias de enterros durante a pandemia da Covid-19. Veja as fotos ao final do texto.

Edmar, que é fotógrafo correspondente internacional, registrou centenas de enterros feitos na capital nesse período. Imagens do profissional correram o mundo.

Nem todos os enterros realizados nesses 37 dias no Parque Tarumã foram de vítimas do novo coronavírus. Porém, a maioria teve relação com os problemas causados pela doença. Até este sábado (23/5),  o Amazonas registrou 1.744 óbitos e 28.802 casos confirmados da Covid-19 no estado.

Embora os casos da doença continuem aumentando, os enterros na capital têm caído. Ontem (22/5), foram registrados 60 sepultamentos na cidade, segundo a Prefeitura de Manaus – 11 deles de casos confirmados de Covid-19. Ao visitar o Parque Tarumã, Edmar Barros notou essa diferença. ” Ontem [sexta, 22 de maio], voltei ao cemitério para ver como estava o movimento, e realmente diminuiu”, avalia o fotógrafo.

Na ida ao cemitério, o amazonense decidiu fazer um registro fotográfico do local onde foram sepultadas vítimas da doença, o que permitiu a comparação entre o antes e depois. “A intenção da primeira foto não era nem mostrar o terreno vazio. A intenção era mostrar o trabalhador caminhando com a pá, e lá nos fundos os túmulos onde o enterro acontecia”, explica.

O enquadramento da segunda foto foge pouca coisa do da primeira foto. De acordo com Edmar, em decorrência disso, houve quem criticasse a comparação entre as duas imagens. No entanto, trata-se do mesmo local e angulação. A diferença está apenas na abertura da lente utilizada pelo fotógrafo.

Cobrindo a pandemia diariamente, o profissional destaca que o trabalho provoca uma mistura de sentimentos. “Muita tristeza pela perda das famílias, que é o que mais me comove. E muito estresse também, porque várias vezes a gente foi impedido de trabalhar e o pessoal criando problemas para gente entrar”, disse o fotógrafo.

Edmar Barros nasceu no município de Lábrea (a 852 km de Manaus). Fotógrafo há 22 anos, há 15 anos exerce a profissão de fotojornalista. Atualmente é correspondente da Agência Nacional Futura Press e da agência internacional Associated Press. Dentre trabalhos relevantes mais recentes, o fotógrafo cobriu os massacres no sistema prisional de Manaus, a desocupação no Monte Horebe, o incêndio no bairro de Educandos, a crise venezuelana na fronteira e o desastre em Brumadinho (MG).

O cemitério Nossa Senhora de Fátima, no Parque Tarumã, é um dos maiores sepulcrários públicos de Manaus. Ele ficou conhecido internacionalmente após imagens de enterros coletivos ganharem o mundo por meio de fotos e vídeos divulgados pela imprensa.

Fotógrafo registrou antes e depois em cemitério de Manaus após 37 dias de enterros na pandemia. Fotos: Edmar Barros/Cedida

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