
Oitivas foram autorizadas pelo ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF). Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou, nesta terça-feira (5/5), as diligências solicitadas pelo procurador-geral da República, Augusto Aras, no inquérito que apura suposta tentativa de interferência do presidente Jair Bolsonaro na Polícia Federal (PF). Na mesma decisão, o ministro decidiu retirar o sigilo do depoimento prestado pelo ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro à PF, no sábado (2/5). Ao deixar o governo, Moro acusou Bolsonaro de interferência na corporação.
No pedido encaminhado ontem (4/5) ao relator, Aras pediu autorização para a tomada de depoimento de três ministros, seis delegados da Polícia Federal (PF), da deputada Carla Zambelli (PSL-SP), além da realização de perícias. As medidas foram tomadas após Moro prestar depoimento.
Até às 21h30 desta terça-feira, mesmo com a decisão favorável à quebra do sigilo, a oitiva do ex-ministro não tinha sido anexada ao andamento processual eletrônico do STF. A defesa de Moro e a PGR concordaram com a retirada do sigilo.
“Os estatutos do poder, em uma República fundada em bases democráticas, não podem privilegiar o mistério nem legitimar o culto ao sigilo: consequente necessidade de este Inquérito transcorrer sob a égide do postulado da publicidade”, decidiu Celso de Mello.
No pedido encaminhado ao relator, o procurador-geral da República também solicitou a cópia de uma reunião realizada no dia 22 de abril entre o presidente Bolsonaro, o vice-presidente, ministros e presidentes de bancos públicos, e os comprovantes das assinaturas de exoneração a pedido do ex-diretor da PF Maurício Valeixo.
Desde a exoneração de Moro, o presidente nega que tenha pedido para o então ministro interferir em investigações da PF.
Fonte: Agência Brasil