05/JUN 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Prefeito chora em entrevista à Folha ao defender coveiros da declaração de Bolsonaro

Publicado em 21 de abril, 2020

Prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto

Arthur disse que situação de Manaus já é de calamidade pública e chorou ao falar sobre os coveiros, criticando Bolsonaro. Foto: Semcom/Divulgação

Em entrevista à coluna Painel, da Folha de São Paulo, o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto, disse que a capital do Amazonas está em estado de calamidade, deu dados preocupantes sobre os óbitos na cidade, fez críticas ao presidente Jair Bolsonaro e não segurou o choro ao falar dos coveiros, que estão com um trabalho incessante para evitar o caos funerário.

O estado tem taxa de ocupação de 91% de seus leitos de UTI, mas o prefeito considera o número exageradamente otimista. Hoje, com os dados atualizados do boletim epidemiológico, Manaus tem 1.809 casos confirmados e 163 óbitos.

O prefeito também revelou uma situação preocupante na cidade. Segundo ele, somente no domingo (19), das 122 pessoas enterradas em Manaus, ao menos 20 (17%) morreram em suas casas. Na segunda (20/4), a taxa foi maior: dos 106 mortos, 38 morreram em casa (36,5%). “São números que mostram o colapso. Estamos chegando no ponto muito doloroso, ao qual não precisaríamos ter chegado se tivéssemos praticado a horizontalidade da quarentena, no qual o médico terá que se fazer a pergunta: salvo o jovem ou o velho? ”, disse. Nem todos os óbitos foram confirmados para Covid-19, mas o prefeito acredita ser essa a principal causa.

Arthur se encontrou com o vice-presidente Hamilton Mourão na segunda-feira (20), para tratar do combate ao novo coronavírus, e apresentou as demandas da cidade, que precisa de aparelhos de tomografia, profissionais treinados, equipamentos de proteção individual e remédios.

Ele também disse que aproveitou o encontro para desabafar sobre o presidente Jair Bolsonaro, que participou de ato pró-golpe militar no domingo (19). O pai do prefeito, senador Arthur Virgílio Filho, teve o mandato cassado pela ditadura militar.

“Não podia deixar de condenar o presidente participar de um comício, aglomerando, e ainda por cima tecendo loas a essa coisa absurda que foi o AI-5. Cassou meu pai, cassou Mário Covas, pessoas acima de quaisquer suspeitas, e que serviam ao país”, disse.

Ele também criticou Bolsonaro por dizer que não é coveiro, após ter sido perguntado sobre o número aceitável de mortes por coronavírus. “Queria dizer para ele que tenho muitos coveiros adoecidos. Alguns em estado grave. Tenho muito respeito pelos coveiros. Não sei se ele serviria para ser coveiro. Talvez não servisse. Tomara que ele assuma as funções de verdadeiro presidente da República. Uma delas é respeitar os coveiros”, afirmou o prefeito, chorando ao falar sobre esses funcionários. “Não fui criado sob essa lógica do ‘homem não chora’. Nessa crise tem acontecido isso”.

Leia aqui a íntegra da matéria:

 

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