05/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Médico dos ricaços e das piores doenças vai de leão a ratinho, após contrair o Coronavírus

Publicado em 11 de abril, 2020

Médico dos ricaços

Médico dos ricaços, Kalil achou estar imunizado contra o Coronavírus ao transitar entre “300 pacientes infectados”

O médico Roberto Kalil Filho, 60, que atende os mais ricos do Brasil, contraiu o Covid-19. O leão, estrela do hospital Sírio-Libanês, se tornou “ratinho enjaulado”, diante da doença, como ele mesmo diz: “Quando você tem uma doença com décadas de tratamento, você tem medo. Imagina essa doença que ninguém conhece direito. A sensação é horrível. Parece que estão arrancando um membro seu”, disse, em entrevista ao site da revista Veja. Ele também falou a vários outros veículos de comunicação.

Kalil atendeu os ex-presidentes Lula, Dilma, Temer, Collor e Sarney. Os milionários brasileiros, inclusive vários de Manaus, disputam a agenda dele. Com equipe multidisciplinar, reúne os maiores especialistas, pelo preço que for, em torno dos seus pacientes. Fica no ar a certeza de que, se até a maior estrela da Medicina brasileira se contamina, profissionais de saúde precisam de proteção.

O cardiologista conta, na entrevista, que não procurou tratamento, quando descobriu os primeiros sintomas. “Errei. Se tivesse procurado tratamento, uma semana antes, seria melhor”. Depois, aos poucos, foi sendo derrubado pela doença. “Tive um pensamento imbecil. Como a gente estava num ambiente hospitalar, com 300 pacientes com Coronavírus, pensei estar imune a isso”.

Roberto Kalil Filho também faz outra constatação: “Os profissionais de saúde são extremamente dedicados. Mesmo sabendo que poderão ser infectados, eles entram no teu quarto e fazem o que têm de fazer. No dia-a-dia, no nosso trabalho, é claro que a gente vê essa dedicação. Mas quando a gente fica doente é que percebe o cuidado e a atenção, nos detalhes. Não só aqui (Sírio-Libanês), mas também no Hospital das Clínicas e no Incor (públicos)”, disse.

O cardiologista do Sírio-Libanês também elogiou a “inexpressiva” taxa de mortalidade do concorrente, o Albert Einstein. Os dois hospitais são as maiores referências do País. Um resulta da benemerência de sírios e libaneses, como Paulo Maluf, enquanto o outro é fruto da filantropia de judeus.

 

Cloroquina

Kalil entrou no roldão da discussão nacional do momento, em torno do uso ou não da cloroquina. Depois que o presidente Bolsonaro apontou o medicamento como solução contra Covid-19, seguindo Donald Trump, surgiu a polêmica: quem é bolsonarista defende o uso do remédio com a vida e quem é contra ele jura que morre, mas não o utiliza.

O médico paulista confessa que usou cloroquina. Faz, no entanto, uma ressalva. “Não sou garoto propaganda de ninguém”, referindo-se aos pró-Bolsonaro. O presidente chegou a elogiá-lo e citá-lo como exemplo, num pronunciamento feito em cadeia nacional. “Meu tratamento envolveu vários medicamentos, entre eles antibiótico, corticoide e anticoagulante”. Tomou cloroquina? Pergunta uma voz, ao fundo da entrevista. “Tomei. Mas o que me salvou foi o corticoide”.

CLIQUE AQUI PARA VER A ÍNTEGRA DA ENTREVISTA DE KALIL FILHO À VEJA.

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