
FVS alerta sobre casos que chegam ao hospital em condição crítica e fatal: ‘não espere agravar, procure uma unidade’. Foto: Arquivo
Em 13 dias, desde a primeira notificação de óbito relacionado ao novo coronavírus, o Amazonas soma 19 mortes por complicações da infecção. Até hoje, segundo balanço da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM), foram 35 óbitos notificados, com a confirmação de 19 e 9 descartados. Sete falecimentos seguem em investigação para a infecção. O Estado tem hoje uma taxa de letalidade de 3,5%.
Nas últimas 24 horas foram confirmados mais três falecimentos pelo Covid-19. A primeira morte pela infecção foi registrada no dia 23 de março, de um homem de 49 anos, no Hospital e Pronto Socorro (HPS) Delphina Aziz, na zona norte de Manaus.
Ele era proveniente do município de Parintins, chegou a Manaus em UTI aérea e foi internado no Delphina Aziz com quadro de insuficiência respiratória com grave comprometimento pulmonar. O paciente tinha comorbidades como hipertensão arterial sistêmica.
Segundo a diretora-presidente da FVS, Rosemary Costa, pessoas do grupo de risco e com comorbidades devem ficar de alerta para quadros suspeitos de agravamento.
“Não espere o quadro agravar se você tem sintomas respiratórios, dificuldade para respirar, febre, procure o quanto antes uma unidade de saúde. Para evitar o que está acontecendo, muitas vezes os pacientes estão chegando num grau de comprometimento tão grande que, infelizmente, já não há mais o que se fazer. Várias tentativas de ressuscitação e reanimação são feitas, mas os pacientes praticamente chegam para morrer nas unidades de saúde. É necessário que cada um entenda a gravidade deste momento e aja de acordo com essa gravidade. É para proteger a sua vida, porque a vida é a sua”.
A infectologista afirmou que se pode reduzir números da pandemia e evitar agravamento e mortes se as pessoas ficarem em casa e seguirem as medidas preconizadas pelos decretos estaduais.
“O vírus está circulando e as pessoas estão circulando. A tendência é de agravamento. O pico da epidemia, aumento progressivo a partir de agora, vai até a segunda semana de maio, como período de grande preocupação. Mas com o isolamento mantido, podemos ter achatamento da curva, o que vai permitir que os pacientes graves tenham o atendimento. Isso depende de cada um, depende da atitude, de evitar aglomeração, de permanecer em casa. Medidas de etiqueta respiratória e de higiene são fundamentais para evitar a propagação do vírus. E proteger as grávidas, as crianças, os idosos e os que tem comorbidades”, relatou.
Até ontem, o Estado tinha 16 óbitos, sendo o último de um homem de 71 anos, que estava internado na UTI do Delphina. Ele tinha histórico de hipertensão arterial sistêmica, doença meningocócica e insuficiência renal crônica. O paciente deu entrada na unidade de saúde no sábado (04/04), após atendimento na rede de urgência e emergência, em ventilação mecânica e quadro gravíssimo.
No domingo, dia 5, foram confirmadas mais três mortes: uma paciente de Manaus, de 50 anos e com histórico de doença renal crônica e obesidade, que veio a óbito às 19h26 do sábado (04/04), e uma idosa de Manacapuru, de 72 anos e com histórico de hipertensão. Um outro homem, de 55 anos e com histórico de obesidade, veio a óbito, por volta das 7h, deste domingo. O paciente estava na UTI do hospital de referência, tendo quadro de tosse, febre alta e dificuldade respiratória. Ele havia sido internado no dia 24 de março.
Na sexta-feira, a FVS havia informado outros cindo óbitos em decorrência de complicações, incluindo de três mulheres, as primeiras pacientes do sexo feminino a falecerem por Covid-19 no Amazonas.
Dentre os cinco casos, o primeiro óbito ocorreu na quinta-feira (02/04) no Serviço de Pronto Atendimento (SPA) Zona Sul. A paciente do sexo feminino, de 72 anos, com histórico de hipertensão, veio a óbito durante atendimento de urgência e emergência. A morte foi confirmada para Covid-19 no último dia 3, pelo Laboratório Central de Saúde Pública do Amazonas (Lacen).
Outra idosa de 72 anos, diagnosticada com o novo Coronavírus, faleceu no mesmo dia no Delphina Aziz. Ela havia sido transferida do HPS 28 de Agosto para o Delphina, onde sofreu parada cardiorrespiratória e, após manobras de reanimação cardiopulmonar, não resistiu e veio a óbito às 16h15. A paciente tinha histórico de doença pulmonar obstrutiva crônica e doença renal crônica.
Outros dois idosos completam essa lista: um homem de 89 anos, com histórico de hipertensão, que estava internado desde o dia 30/03 na rede particular de saúde, e uma mulher de 74 anos, com histórico de diabetes, internada na rede particular desde o dia 31 de março.
Faleceu também, no dia 3 de abril, um homem de 40 anos, a princípio sem histórico de doenças crônicas, internado no HPS 28 de Agosto. Um outro paciente morreu no dia 2, portador de mal de Parkinson. Ele estava internado na unidade de referência, tendo sido transferido da Fundação Hospital Adriano Jorge para o Delphina no último dia 29 de março e testou positivo para Covid-19 na quarta-feira (01/02).
Ainda no dia 1⁰ de abril, um homem de 50 anos, sem doença crônica, que estava internado em rede particular, faleceu. O exame deu positivo para Covid-19.
Um outro homem, de 85 anos, que havia sido internado no Hospital e Pronto Socorro 28 de Agosto, no dia 26 de março, notificado para Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), faleceu no dia 27 de março e teve seu exame coletado para nova investigação. O resultado testou positivo para Covid-19. O idoso tinha histórico de hipertensão e diabetes.
Fatores de risco que podem levar à morte são hipertensão, diabetes, obesidade e problemas respiratórios. No final de março, a terceira morte registrada no Estado foi de um homem de 49 anos falecido no dia 30 no SPA do Coroado, zona Leste de Manaus. O paciente deu entrada na unidade de saúde com quadro de parada cardiorrespiratória. Ele passou por procedimento de reanimação, sem sucesso. Ele tinha quadro gripal e era diabético.
A segunda vítima da pandemia foi um paciente de 43 anos de idade, que estava no Delphina Aziz. Ele estava internado desde o dia 20 de março na UTI, onde ingressou sem relato de comorbidade e disse ter tido asma quando criança. Também relatou que sentiu os primeiros sintomas após uma reunião de negócios com pessoas provenientes de São Paulo.
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