
Família em barraca na Ponta Negra faz o lazer, como numa tarde de sol comum, enquanto Manaus cumpre isolamento pelo Covid-19
Uma família, contrariando todas as regras de isolamento, de combate à pandemia do Covid-19, montou barraca na Ponta Negra. Eles decidiram aproveitar o sol do começo da tarde numa pequena faixa de praia que resiste à enchente. Ficaram bem longe da praia artificial, aterrada e perene, onde se concentra a vigilância.
O grupo ocupa espaço em frente ao templo da Igreja dos Santos dos Últimos Dias e próximo ao Jardim das Américas.
Um vídeo, que circula nas redes sociais, mostra que eles levaram crianças para a aventura.
As imagens mostram que ocupam uma pequena faixa de praia, acessível pelo chamado “Garden Gay”. O acesso é o mesmo local onde se realizou o Balaio Folia, evento de Carnaval que ignorou interdições das autoridades municipais.
O isolamento, por conta do Covid-19, deve recrudescer esta semana. O governador Wilson Lima anunciou o endurecimento, na sexta (03/04). Disse que as polícias Militar e Civil, além do Corpo de Bombeiros e agentes de saúde, que têm poder de polícia, poderão até prender quem desrespeitar o decreto de Calamidade Pública no Amazonas. A polícia estará nas ruas a partir desta segunda (06/04).
O governador reeditou, por mais 15 dias, o decreto que proíbe viagens intermunicipais, fluviais e terrestres. Ele prometeu aumentar a vigilância nos portos e vigiar o fechamento das estradas.
O secretário estadual de Saúde, Rodrigo Tobias, e a diretora da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS), Rosemary Costa Pinto, vinham fazendo queixas. “Há muita gente circulando de carro. Em alguns momentos, a gente tem a impressão de que não estamos enfrentando uma pandemia. É preciso manter o isolamento”, disse Rosemary.
“Temos que ficar em casa ou o sistema de saúde não terá capacidade para atender a tantos doentes. Vai colapsar”, disse Rodrigo. A experiência de outros países, como China, Itália, Espanha e EUA, que chegou a 9 mil mortos, mostra a necessidade de combater o pico da doença.
Número alto de infectados significa maior quantidade de pacientes graves. Um percentual de até 5% dos que contraírem o vírus podem precisar de UTI e nenhum lugar do planeta tem leitos suficientes para isso. Nem São Paulo ou New York ou Madri ou Paris ou Manaus.
O prefeito de Manaus, Arthur Virgílio, ofereceu ajuda, com pessoal da área de saúde, para que o Governo do Estado abra de imediato o hospital Nilton Lins. A unidade, onde funcionou o pronto-socorro da Unimed, tem 400 leitos que podem ajudar na emergência do Coronavírus.
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