07/SET 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Sindicato emite nota após jornalista filmar assédio em jogo no AM. Veja vídeo

Publicado em 10 de março, 2020

Jornalistas foram assediadas por torcedores do São Raimundo no Dia Internacional da Mulher. Foto: Reprodução/Larissa Balieiro

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Amazonas (SJPAM) emitiu nota, nesta terça-feira (10), em que repudia ataques que jornalistas vêm sofrendo nas duas últimas semanas. Um dos nomes citados no texto é o da jornalista Larissa Balieiro, que filmou parte dos assédios cometidos por um torcedor do São Raimundo no último domingo (8), quando o time jogava contra o Manaus FC. A data da filmagem marca, ainda, o Dia Internacional da Mulher. Assista ao vídeo, ao final desta matéria.

Conforme informações de testemunhas, o assédio foi cometido contra um grupo de jornalistas que fazia a cobertura da partida. O torcedor chegou a fazer gestos obscenos. A jornalista registrou um desses momentos em foto. Veja, abaixo.

Jornalistas foram assediadas por torcedores do São Raimundo no Dia Internacional da Mulher. Foto: Reprodução/Larissa Balieiro

A jornalista decidiu filmar o torcedor depois de ouvir xingamentos a mulheres. “Olhei para o “ser humano adulto” e ele continuou. Resolvi filmar e ele fez gesto com o dedo. Além de outro ter mandando beijo e dito que me queria”, escreveu a jornalista, em uma postagem no Facebook. “Antes da filmagem falou que mulher era vagabunda e que ia comer o c… dela!”, disse Larissa Balieiro, ao responder um seguidor no Twitter.

Após a repercussão do caso, a diretoria do São Raimundo emitiu nota, em que repudia “de forma veemente, os atos machistas de parte de alguns torcedores com a jornalista Larissa Balieiro Pinheiro”. Conforme a nota, o atos “agrediram todas a mulheres”.

“Na sociedade em que vivemos, nos dias de hoje, tais fatos são irresponsáveis e, sobretudo, desrespeitosos. Além de serem criminosos, também”, diz trecho da nota do time.

O clube diz, ainda, que reafirma o posicionamento “de abraçar” todos os gêneros, raças, povos e orientações sexuais. “Somos o time do povo, time de raízes periféricas e é o nosso dever social, reafirmamos, a posição do clube é de total indignação com o fato que agride todas as mulheres dentro e fora de campo, como aconteceu com a jornalista que estava trabalhando em um dia que é dedicado internacionalmente para lembrarmos da luta delas por igualdade e respeito”.

A diretoria do São Raimundo finaliza afirmando que serão tomadas providências “para que Larissas, Natashas, Camilas, Lucianas, Rebecas, Thaíses, e tantas outras sejam respeitadas e inseridas em todos os ambientes”, numa alusão aos nomes das jornalistas que foram alvos dos assédios.

A Rádio Difusora, empresa em que a jornalista atua, também emitiu nota de repúdio após o episódio. “A Larissa Balieiro e a Thaís Gama representam não somente as mulheres da casa como muitas que trabalham arduamente na profissão e que merecem o espaço e o reconhecimento. Sempre estaremos apoiando o trabalho delas e respeitando as demais mulheres que conquistam espaço”, diz o texto.

A empresa finaliza afirmando que o caso registrado no último domingo ocorre “corriqueiramente” em vários lugares. “Nos solidarizamos não somente com as jornalistas mas com as torcedores, esposas, namoradas, mães de atletas, dirigentes que passam por situações parecidas e mais uma vez repudiamos todo tipo de ataque ofensivo e machista”, conclui a emissora.

A jornalista denunciou o caso ao Tribunal de Justiça Desportiva do Amazonas. “Obrigada a todos pelas mensagens de apoio. Dos torcedores e até de atletas, inclusive do São Raimundo. O que eu fiz requer coragem. Porque para variar, o homem vai negar ou tentar dizer que tô louca. Mas, tem vídeo, foto e testemunhas. O STDJ garantiu apoio. Sigamos!!!”, disse ela, em uma das postagens.

Sindicato

A nota do Sindicato dos Jornalistas foi emitida nesta terça-feira. Além de mencionar Larissa Balieiro, a entidade cita outros jornalistas alvos de ataques nas últimas duas semanas.

“Registramos prática de violência contra oito profissionais no Amazonas: Auxiliadora Tupinambá, Édila Chaves, Ana Luiza, Larissa Balieiro, Ariana Clécia, Meriane Jeffreys, Matheus Medina e
Edmar Barros nesse período”, diz um trecho do texto.

A instituição afirma, ainda, que está ciente dos casos e “se coloca de portas abertas para quaisquer tipos de apoio e orientação, como já vem ocorrendo com alguns casos por meio da assessoria jurídica do sindicato”.

O SJPAM, que é filiado à Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), está localizado na Praça Santos Dumont, número 15, Centro de Manaus. O telefone para contato é o (92) 3234 – 9977. A entidade também disponibiliza o e-mail [email protected].

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