08/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

Marinha estuda retirada do Anna Karolinne III do fundo do rio; 25 corpos foram encontrados

Publicado em 05 de março, 2020

Marinha estuda retirada do Annna Karolinne III do fundo do rio; 25 corpos foram encontrados

Marinha estuda retirada do Anna Karolinne III do fundo do rio; 25 corpos foram encontrados. Fotos: Divulgação

A retirada do navio Anna Karolinne III, que naufragou em Macapá (AP), no sábado (29), foi o principal pedido de familiares das vítimas do acidente com a embarcação, durante reunião com a Marinha do Brasil e o governo local.

Até ontem, foram localizados mais três corpos, totalizando 25 mortos no naufrágio. Foram resgatadas 49 pessoas com vida, entre passageiros e tripulantes, segundo o Corpo de Bombeiros. O Anna Karoline III naufragou nas proximidades da Boca do rio Jari. As buscas por mais desaparecidos continuam hoje.

Marinha estuda

A possibilidade de retirada da embarcação está sendo avaliada, em razão da complexidade da operação. O navio pesa cerca de 500 toneladas e está há mais de 12 metros de profundidade. O estado do Amapá declarou emergência para poder dispor de recursos para contratar empresa especializada em reflutuação de embarcação.

A Prefeitura de Almeirim, no Pará, anunciou que conseguiu guindaste para içar o navio, mas depende de autorização da Marinha do Brasil. O Ministério Público Federal (MPF) também solicitou nesta quarta-feira informações à Capitania dos Portos e Corpo de Bombeiros do Amapá sobre os procedimentos, responsabilidade e tempo necessário para o içamento da embarcação.

A Marinha segue, por intermédio da Capitania dos Portos do Amapá (CPAP), com a operação de busca e salvamento pelas vítimas do naufrágio, com 39 militares no local.

Buscas no local

O Aviso Hidroceanográfico Fluvial Rio Xingu e o Aviso Balizador Marco Zero realizam, incessantemente, buscas na região com apoio de mergulhadores, contando com o suporte de uma equipe de saúde do Hospital Naval de Belém. A aeronave modelo UH-15 (Super Cougar), do 1° Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral do Norte, também está prestando apoio nos resgates.

O Aviso Hidroceanográfico Fluvial Rio Tocantins, subordinado ao Comando do 4° Distrito Naval, saiu da cidade de Belém (PA) para ser incorporado aos demais meios, que estão na operação de busca e salvamento na região do incidente.

A aeronave modelo UH-15 (Super Cougar), do 1° Esquadrão de Helicópteros de Emprego Geral do Norte, realizou o translado de mais quatro corpos, totalizando 17 corpos, da cidade de Gurupá-PA para Macapá-AP.

O naufrágio

O Anna Karolinne III saiu por volta das 18h de sexta-feira (28) de Santana, no Amapá, em direção a Santarém, no Pará. A viagem entre as duas cidades dura, em média 36, horas. A previsão de chegada em Santarém era às 6h de domingo (1º).

Mas a viagem foi interrompida na madrugada de sábado, próximo à Ilha de Aruãs e à Reserva Extrativista Rio Cajari, no Rio Jari. A região fica a 130 quilômetros de Macapá, em um local de difícil acesso e comunicação – o chamado de socorro foi feito às 5h, e o helicóptero de resgate do governo do estado só chegou ao local por volta das 14h de sábado.

O Corpo de Bombeiros afirmou que não há um número oficial de vítimas, pois a embarcação não tem uma lista de passageiros para orientar as buscas, mas acredita-se que estavam sendo transportadas no mínimo 60 pessoas. Sobreviventes descreveram que chovia e ventava forte na hora do naufrágio.

Sem autorização

A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) identificou que a empresa não tinha autorização para operar na rota Santana-Santarém. A Polícia Civil do Amapá abriu um inquérito para apurar criminalmente o caso e busca identificar se a embarcação estava com excesso de carga.

Segundo a Antaq, o Anna Karolinne III tinha autorização para fazer a linha Santarém-Manaus, tendo 38,25 metros de comprimento, por 7,3m de largura, e capacidades para 242 passageiros (sem qualquer carregamento adicional) e carga de até 89 toneladas. A embarcação tinha dois convés.

A Marinha do Brasil lamenta o ocorrido e incentiva a sociedade a participar ativamente no esforço de fiscalização, informando qualquer situação que possa afetar a segurança da navegação, a salvaguarda da vida humana no mar e vias navegáveis ou que represente risco de poluição ao meio hídrico, por meio do Disque Emergências Marítimas e Fluviais: 185 e pelo telefone (96) 3281-5480.

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