Muitos já acham que os ataques contra os servidores públicos e os chiliques e desequilíbrios do ministro da Economia podem ser resultantes de ter sido tão incensado como o cara que resolveria tudo, das promessas feitas e não cumpridas. A economia do Brasil patina e não ganha força, o dólar está nas alturas, o desemprego atinge índices alarmantes. O que fazer se ele não consegue entregar o que prometeu? Resolve atacar através de declarações irresponsáveis e agressivas para desviar o foco.
No dia 4 de março de 2019 o Portal da Exame publicou reportagem onde dizia que o dólar poderia depreciar 9% e chegar em R$ 3,40 caso a reforma da Previdência fosse aprovada de maneira integral. Hoje o dólar está batendo R$ 4,39 e assusta a todos. De quantas reformas do ministro precisamos para equilibrar esses números? As fichas já começaram a cair.
Um ministro deve ser revestido de vários predicados para ser levado a sério, e um dos pontos é respeitar para ser respeitado. E não adianta, nesse país, simplesmente agredir e depois apelar para o tradicional pedido de desculpas, dado que os estragos promovidos pela leviandade já foram espalhados.
As reações foram imediatas. Representantes de associações e federações rebateram rapidamente tais declarações e mostraram o papel e a importância dos servidores públicos e dos serviços públicos no Brasil.
Para o Sindireceita, “Não nos causou qualquer surpresa vê-lo se referir aos servidores, inclusive seus subordinados, como “parasitas”. Sabemos que é exatamente assim que ele, e muitos de seus colegas de governo, pensam. Destes, não esperamos qualquer consideração ou respeito, muito menos reconhecimento, sequer diálogo. Estamos na alça de mira, na lista dos proscritos”.
Afinal, somos o Estado. Sai governo, entra governo, permanecemos aqui, garantindo a democracia, cuidando da saúde de todos brasileiros que não podem pagar um plano de saúde, levando educação às suas crianças que não encontram oportunidades nas escolas particulares, evitando que epidemias venham a arrebatar milhares de vidas a cada surto, lutando e morrendo a cada dia no confronto direto com o crime organizado, mantendo as garantias judiciais essenciais à cidadania, arrecadando os impostos que financiam as aposentadorias, os programas sociais, tudo aquilo que traz algum alento de equidade a um país miseravelmente desigual.
Os únicos organismos que os servidores públicos “parasitas” atacam são os corpos podres da corrupção, do crime organizado, dos oportunistas que pilham os cofres públicos. Somos o obstáculo aos arroubos ditatoriais, a garantia do Estado Democrático de Direito, o muro que resiste à retirada progressiva de direitos do cidadão comum.
Pena que o bombardeio de mentiras faça àqueles que mais precisam dos serviços públicos acreditar que o Estado e seus agentes devam ser liquidados. Pena que a educação esteja ao alcance de uma minoria insensível e a ignorância planejada mantenha a imensa maioria solidária àqueles que lhe enganam e exploram. Pena que essa nação só venha a sofrer as consequências da obra de Paulo Guedes daqui a 15 ou 20 anos, quando as aposentadorias forem miseráveis, quando não restar mais qualquer direito para o assalariado e o Estado servir apenas aos governantes. Pena que a memória desse país seja tão curta e que acabemos sempre nas mãos dos oportunistas de plantão.
Para a Unafisco Nacional, “Se partilhássemos da descompostura do ministro, poderíamos compará-lo a um serviçal do mercado, que promove a falência do Estado em detrimento do povo brasileiro. Falta não só elegância ao ministro Guedes, como patriotismo. O assédio institucional que vem sendo praticado pelo Sr. Paulo Guedes em relação aos servidores públicos já ultrapassa os limites legais e merece reação à altura”.
*Auditor fiscal e professor.
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* Auditor fiscal da Sefaz, coordena o Programa de Educação Fiscal no Amazonas.