
Bacia do Rio Amazonas pode abrigar 400 botos e 300 tucuxis, mas números ainda serão analisados. Foto: Divulgação
Uma expedição científica de 12 dias buscou dimensionar as populações dos animais ao longo de um trecho transfronteiriço que incluiu Brasil, Peru e Colômbia. Segundo o Instituto Mamirauá, resultados preliminares indicam que há 400 botos e 300 são tucuxis, na bacia do Rio Amazonas.
Os números “ainda serão analisados para obter valores de abundância estimada no trecho amostrado”, diz o instituto. Os pesquisadores, que pertencem a organizações internacionais, percorreram um trecho transfronteiriço de quase mil quilômetros que abrangeu Brasil, Peru e Colômbia.
Eles tentaram realizar registros de avistagem de botos ao longo do rio Amazonas-Solimões.

Bacia do Rio Amazonas pode abrigar 400 botos e 300 são tucuxis. Foto: Divulgação/Instituto Mamirauá
O trabalho, realizado por 11 pesquisadores, integra a Iniciativa para os Botos da América do Sul (SARDI, da sigla em inglês), e contou com a participação do Instituto Mamirauá (Brasil), WWF, Fundação Omacha (Colômbia), e Solinia (Peru).
De acordo com o Instituto Mamirauá, a viagem começou no dia 9 de janeiro deste ano, em Iquitos, no Peru, passou por Letícia, na Colômbia, e foi finalizada em Santo Antônio do Içá, no Brasil, no dia 18 de janeiro.
A longo prazo, o objetivo do projeto é verificar se a população dos cetáceos de água doce – o boto-cor-de-rosa (Inia geoffrensis) e o tucuxi (Sotalia fluviatilis) – está em número estável, declínio ou aumento.
“A Amazônia tem rios com distintas categorias, como cor e química da água, vegetação, volume de recurso pesqueiro, e, portanto, é necessário amostrarmos diversos cursos d´água para termos um panorama mais completo das abundâncias de botos em toda a bacia”, explicou Miriam Marmontel.
Miriam é líder do Grupo de Pesquisa em Mamíferos Aquáticos Amazônicos do Instituto Mamirauá, organização social fomentada pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC.)
Conforme a pesquisadora, os resultados se inserem na média geral de expedições prévias. Uma das curiosidades, segundo Miriam, foi que no Peru e na Colômbia os cientistas avistaram mais boto-cor-de-rosa em comparação ao tucuxi, normalmente de mais fácil avistagem pelo comportamento de saltar.
Atualmente, o boto-cor-de-rosa sofre perigo de extinção, classificação dada pela lista vermelha de espécies ameaçadas da União Internacional para Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN, na sigla em inglês).
O grupo de pesquisadores também avaliou sinais de ameaças, como a presença de redes de pesca e indícios da pressão da caça de botos para usá-los como isca do peixe piracatinga.
“Vimos poucas redes, sem grandes sinais de ameaça, o que é um bom sinal”, comemorou a especialista.
Em 1995, já havia sido realizada amostragem no trecho Iquitos-Santa Rosa, no Peru, na região da tríplice fronteira. A comparação com os dados atualizados permitirá aos pesquisadores verificar se há tendência de aumento ou declínio no número dos animais na área.
Da fronteira Santa Rosa-Letícia-Tabatinga até o destino final, em Santo Antônio do Içá, entretanto, foi a primeira vez que se coletou dados populacionais dos mamíferos aquáticos, preenchendo, assim, uma lacuna de informações.
Os especialistas da SARDI esperam que as informações obtidas na viagem, junto com a análise do monitoramento de deslocamentos de botos por satélite, realizado desde 2017, sejam levados em consideração para o desenvolvimento de um Plano de Manejo e Conservação (CMP, da sigla em inglês) para os botos de água doce da América do Sul.
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