A imprensa isenta e compromissada com a verdade é fonte sustentável da Democracia. O descrédito e a desconstrução do trabalho realizado por ela certamente interessa a alguém. Calar a imprensa livre e atacar a liberdade de expressão é o que se faz em países ditatoriais.
Pelo visto os atritos e conflitos ocorridos nas eleições continuam a chegar aos lares brasileiros, mesmo com as famílias mais interessadas em coisas positivas e construtivas, sem a obrigação de serem envenenadas por ideias nada interessantes.
É passada a hora da busca de um grande entendimento nacional, com as forças políticas de todas as tendências sentando para conversar, visando o bem comum e interesses elevados da população, e não o de meia dúzia de políticos.
Também se lamenta que em cargos majoritários, quem assume continua a apontar o dedo na direção de alguém, na tentativa de encontrar um culpado para péssimas gestões, e isso chega até em alguns Estados e municípios.
Em nível federal, eis a forma como a imprensa é tratada: “Ô rapaz, pergunta pra tua mãe o comprovante que ela deu pro teu pai, tá certo?”… Foi assim que o presidente da República Federativa do Brasil, que ocupa o mais alto cargo do País, respondeu ao jornalista que o perguntou sobre os comprovantes de transações que envolviam o ex-assessor Fabrício Queiroz e membros de sua família.
Foi no dia 20 de dezembro, ao ser questionado por jornalistas a respeito das investigações sobre crimes de lavagem de dinheiro, peculato e organização criminosa. Em vez de responder à pergunta, o presidente tratou da sexualidade do jornalista.
Esta tem sido a tática utilizada quando não sabe como responder ou quando percebe que sua resposta vai comprometer o governo. Xingamentos, ataques, insultos, homofobias, restrições e ameaças têm sido a tônica de entrevistas, especialmente contra jornalistas mulheres.
O presidente foi o responsável por 121 dos 208 ataques, durante o ano passado, contra veículos de comunicação e jornalistas no Brasil, de acordo com um estudo realizado pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), o que representa 58% do total. Segundo a presidente da Fenaj, Maria José Braga, o Brasil registrou em 2019 um aumento de 54% nesse tipo de ataque físico ou moral contra profissionais ou veículos de comunicação, na comparação com 2018, quando foram anotados 135 casos.
Recentemente, dia 16 de janeiro de 2020, o presidente da República mandou a repórter Talita Fernandes calar a boca. “Fora, Folha de São Paulo, você não tem moral para perguntar, não”, afirmou. “Cala a boca”, bradou, abrindo espaço para outros veículos presentes.
A jornalista, em nome do jornal, questionava Bolsonaro sobre o que ele iria fazer diante do conflito de interesses em que se meteu o secretário de Comunicação Social da Presidência da República, Fábio Wajngarten, sócio de uma empresa que presta serviços para veículos de comunicação (FW Comunicação e Marketing) que, por sua vez, os mesmos veículos de comunicação têm contratos de propaganda liberados pela Secom, que Fábio dirige.
Não satisfeito, à noite voltou com força máxima. Questionado se ele tinha conhecimento dos contratos assinados pelo seu secretário através da empresa familiar, respondeu: “Você está falando da tua mãe?”.
Culpar a imprensa ou, pelo menos, atrela-la ao círculo da culpa é amplamente explorado pelo jornalista econômico e um dos editores do Le Monde de Paris, Yves Mamou, na obra “A Culpa é da Imprensa – Ensaio sobre a fabricação da informação”, afinal, a imprensa é um instrumento democrático essencial para todos os setores da sociedade. Pelo visto, logo o francês será atacado.
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* Auditor fiscal da Sefaz, coordena o Programa de Educação Fiscal no Amazonas.