Após 75 dias de paralisação, os técnico-administrativos da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) decidiram aceitar a proposta de reajuste oferecida pelo Governo Federal e retornam ao trabalho a partir da segunda-feira (27). O acordo, que encerra a greve da categoria foi selado na quarta-feira (22.08), na negociação entre os dirigentes da Federação de Sindicatos de Trabalhadores Técnico-administrativos em Instituições de Ensino Superior Públicas do Brasil (Fasubra) e o secretário de Relações do Trabalho do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG), Sérgio Mendonça.
Com a celebração do acordo, os técnico-administrativos (cerca de 180 mil trabalhadores) receberão o aumento sobre as tabelas de remuneração do PCCTAE da ordem de 15,8% a ser implementado em três etapas anuais de 5% a partir de 2013, correção de incentivos a qualificação, paridade entre ativos e aposentados, aumento do step de 3,8%, entre outros pontos, além da promessa do Planalto de de não descontar dos salários os dias parados, sob a condição de reposição do trabalho.
A suspensão da greve foi aprovada em assembleia geral da categoria, com mais de 110 participantes, realizada nesta sexta-feira (24), no auditório Buhrnheim, pelo Sintesam (Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Superior do Estado do Amazonas).
Para a coordenação geral do Sindicato, o acordo não corresponde de forma plena às reivindicações da categoria, mas não deixa de reconhecer que a greve resultou em ganhos. “Após o desfecho do movimento do ano passado, em que saímos sem nenhuma conquista, muitos diziam não acreditar que pudéssemos nos mobilizar e voltar fazer uma greve desta magnitude. No entanto, só a ousadia e a coragem dos trabalhadores de enfrentar o poder governamental e conquistar ganhos já é uma vitória. Historicamente, nos últimos governos somente os servidores públicos têm mantido a força de mobilização para greve”, comemoram.
A técnica, Cristiane Martins Lima, de Humaitá, ao fazer uma declaração representando os servidores dos cinco pólos da Ufam nos municípios de Humaitá, Coari, Parintins, Itacoatiara e Benjamin Constant, destacou a emoção e alegria de ter participado das mobilizações durante as greves de 2011 e 2012, sobretudo dos que participaram do Comando de Greve em Manaus e nos municípios. “O amadurecimento políticos e a conscientização da categoria foi uma conquista importante para todos nós. Estamos cientes de que a luta não terminou com a suspensão da greve e que teremos novos confrontos e reivindicações pela frente”, antevê.
Homenagem
No encerramento da assembleia geral o Comando Local de Greve (CLG) prestou uma homenagem ao casal de técnicos Maria Rúbia (DRH) e Áureo Alvarenga (Demat) pela atuante participação nos atos e assembleias durante os 75 dias de greve.
Na avaliação de Maria Rúbia, a categoria demonstrou aos que não acreditavam e, até mesmo se diziam contrários à greve, que somente se conquista as coisas com luta e participação. “Sim, somos vencedores. O resultado da greve não poderia ser melhor, porque temos a consciência e certeza de que há muita coisa nesse País que sem luta e briga nunca vai mudar”, atesta.
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