08/AGO 2026
Jornalista responsável: Marcos Santos

71% das vítimas de fraudes já deixaram de comprar em um site por desconfiar de sua reputação

Publicado em 23 de outubro, 2019

Fraudes

As fraudes financeiras levam os consumidores que foram vítimas a repensar seu comportamento na internet e a adotar medidas de segurança. A conclusão é de um estudo feito em todas as capitais pela CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas) e pelo SPC Brasil (Serviço de Proteção ao Crédito) em parceria com o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas). De acordo com o levantamento, em cada dez consumidores que foram vítimas de fraudes, sete (71%) já deixaram de comprar em algum site por desconfiar da sua idoneidade. O estudo ainda mostra que somente 28% desses consumidores confiam nos sistemas de proteção contra fraudes das empresas e 62% acreditam que os fraudadores estão sempre um passo à frente das medidas de segurança.

Para a maioria dos entrevistados, a responsabilidade pela segurança em relação a possíveis golpes é tanto da sociedade, quanto das organizações públicas e privadas. De acordo com o levantamento, 69% dos entrevistados acreditam que as instituições financeiras são os principais responsáveis em desenvolver medidas para se evitar fraudes. Já 61% julgam que os próprios consumidores são responsáveis, o mesmo percentual de 61% acreditam que a responsabilidade é de comerciantes e lojistas e 60% mencionam a Polícia Federal.

“É um engano pensar que a responsabilidade pela integridade e proteção de informações pessoais caiba apenas ao governo e às empresas. O usuário também precisa adotar medidas de prevenção, sobretudo ao lidar com perfis nas redes sociais e dispositivos eletrônicos”, afirma o presidente da CNDL, José César da Costa.

Fraude

Ao constatar que foi vítima de fraude financeira, além de procurar a polícia, uma das primeiras coisas a se fazer é entrar em contato com a empresa ou instituição relacionada ao caso. Contudo, nem sempre o consumidor se considera capaz de lidar sozinho com o problema e, diante disso, decide buscar ajuda especializada. De acordo com a pesquisa, 29% das vítimas de fraudes que tentaram resolver a situação contrataram uma empresa para essa tarefa, sendo que em 58% dos casos o problema foi solucionado e em 19% não houve êxito.

O gasto médio pago para resolver a situação com ajuda da empresa foi de R$ 729,00, sendo que na maior parte dos casos (55%) o pagamento foi feito após o problema ter sido solucionado. Outros 24% pagaram antecipado. Os principais motivos para contratarem terceiros foram não saber o que fazer para resolver o problema (35%), evitar desentendimentos (23%) e constrangimentos (22%).

Entre as vítimas de fraudes, 71% dos entrevistados não recorreram a esse tipo de serviço. Dentre esses, 31% alegam ter conseguido resolver sozinhos o problema, enquanto 18% garantem que a própria empresa relacionada à ocorrência da fraude resolveu a situação e 15% não tinham dinheiro para pagar um especialista.

Outra constatação é que 76% daqueles que procuraram ajuda profissional tentaram primeiro resolver a situação por si mesmos. Além disso, 51% dos que contrataram empresas para ajudar nesta resolução tiveram receio de estarem sofrendo um novo golpe.

Vulneráveis

A maioria (83%) dos entrevistados se considera vulnerável a ocorrência de fraudes, sobretudo ao realizarem compras com cartão de crédito ou débito (46%), pelo risco de terem o número de celular clonado (39%) ou também clonagem de documento ou de placa do veículo (36%).

No que se refere à propensão para sofrer golpes, os entrevistados apontam que as pessoas ingênuas são mais propensas a serem vítimas (72%). Assim como pessoas que vivem situações de necessidade ou urgências de dinheiro (59%) e pessoas gananciosas, que querem dinheiro fácil, sem grandes esforços ou riscos (56%). Para 77% dos consumidores ouvidos, as pessoas acima de 60 anos são mais vulneráveis, enquanto 34% acreditam que os jovens são mais sujeitas a fraudes.

“O avanço da idade contribui para a diminuição ou perda de determinadas aptidões físicas ou intelectuais que tornam o indivíduo mais suscetível a práticas abusivas e até mesmo a fraudes. É preciso que as empresas estejam atentas às particularidades dessa crescente faixa da população para que a mantenham como seu público consumidor oferecendo apoio e segurança”, acrescenta Costa.

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