A imaginação é mais importante do que o conhecimento, dizia Einstein. Pela imaginação o homem descobriu que para sobreviver teria de associar-se. Assim, dominou as outras espécies e promoveu todos os avanços da humanidade respaldado em mudanças incrementais, uma rotina que levou o cérebro ao pensamento linear, de onde vem nossa reação à mudança, desastrosa barreira ao mundo atual.
A primeira grande ruptura da história foi a invenção da máquina a vapor, marco tecnológico da velocidade, credenciais da 1ª. Revolução Industrial. Em momentos de forte disrupção o nosso cérebro, condicionado ao longo do tempo, não percebe o que não está no seu repertório. Foi o que aconteceu com a primeira imagem em movimento artificial, precursora do cinema, criada em 1895 pelos irmãos Lumière, inventores da máquina fotográfica.
Tratava-se de um trem chegando a uma estação. Ao projetarem a cena, o pânico se estabeleceu. Autoridades e convidados que lotavam o salão saíram correndo com medo de serem atropelados. Ressalte-se que, na vida real, essa imagem já se tornara corriqueira.
A 2ª e a 3ª. Revoluções Industriais trouxeram avanços e inovações importantíssimas, mas sem ultrapassarem os limites do pensamento linear. As referências eram os patamares das revoluções anteriores e seguiram a mesma dinâmica das melhorias incrementais.
Já a Revolução Industrial 4.0, quando olhada em retrospectiva, mostra estreita conexão com o microprocessador, invenção de Gordon Moore nos anos 1970. Desde então, a velocidade de processamento avançou e ao fim do século passado já dobrava a cada 18 meses, derrubando drasticamente os custos das inovações.
Como consequência, tecnologias como: robótica, inteligência artificial, nanotecnologia, internet das coisas, biotecnologia, big data, impressora 3D e outras tantas se viabilizaram e cresceram exponencialmente.
Esse crescimento exponencial abriu uma fenda em relação ao pensamento linear, indicando o início de uma “Nova Era”. A era da instabilidade, do inesperado, do descarte permanente do conhecimento e do aprendizado constante. Nela o futuro não vem mais do passado. Vem do próprio futuro. E agora? Agora só nos resta desaprender o passado e aprender a criar o futuro, que em seguida será passado.
Algumas universidades já se dedicam a essa tarefa. A mais avançada delas é a Singulary University, uma parceria Google/Nasa, no Vale do Silício. Salim Ismail, um dos fundadores, vem alertando o mundo dessa nova realidade. Segundo ele: “É vital fazer a transição do conceito do pensamento linear admitindo a inevitável realidade do crescimento exponencial. Nos próximos 10 anos o crescimento da internet nos tornará cada vez mais dominados pela informação. O primeiro passo é garantir que as pessoas passem a pensar de modo diferente”.
Como se nota, a Revolução Industrial 4.0 não é uma simples atualização tecnológica, como o termo induz. Ela é, fundamentalmente, uma mudança de “modelo mental”. Robotizar os processos, por exemplo, não significa estar com um pé na 4.0. Robô não tem modelo mental, ainda, uma prerrogativa dos humanos.
Pressionado pela velocidade das mudanças, o cenário é de grande instabilidade. Superar desafios e fazer a transição exige lideranças com conhecimentos, habilidades e ações capazes de superar reações às mudanças a partir de um novo modelo mental agregador e colaborativo, onde a percepção, o experimento e o erro sejam ferramentas impulsionadoras da velocidade das transformações. Um desafio que muitas empresas não conseguiram superar, como vem mostrando a volatilidade das posições no ranking mundial das melhores empresas.
AVISOS
1) “As Startups, Fintechs e Agritechs” e “Educação para os novos tempos.” Serão temas abordados proximamente.
2) Divergências serão acolhidas com entusiasmo. Com elas, certamente, aprenderei muito. Desde já obrigado.
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* Francisco R. Cruz é empresário e trabalhou muitos anos na área de tecnologia e, entre 2001 e 20...